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quinta-feira, janeiro 10, 2008

(2011) POR FAVOR...

Expliquem-me qual a diferença entre o PSD de Menezes e o PSD de Marques Mendes. Com excepção da traição ao compromisso eleitoral do referendo sobre o Tratado, claro, que essa diferença eu percebi.

sexta-feira, outubro 05, 2007

(1741) AS CADEIRAS DO PODER

Na democracia portuguesa continua a dança. De cadeiras. De mandatos. De compromissos. Os utilitários tomaram conta das instituições e olham os mandatos como coisa que se aceita para um dia se dizer que se foi isto e aquilo. No fundo, a cultura instalada pelos partidos vê os mandatos electivos como coisa de somenos que facilmente se pode abandonar, independentemente de se terem ou não alcançado os objectivos que se prometeram aos eleitores.

Como alguém já disse, o que conta no Portugal pequenino e provinciano não é o que se faz, o que se é, o que se vale por si, mas o que se foi. Somos o paizinho dos ex-qualquer coisa. Tudo por cá é secundário menos a carreira e a ambição pessoal.

As eleições directas no PSD vieram mostrar mais uma vez como este estilo de desresponsabilização está bem vivo, sobretudo nos partidos que mais facilmente têm possibilidades de ascender ao poder. De uma assentada a Nação perdeu um deputado e o distrito de Aveiro perdeu um deputado e um Presidente de Câmara, ambos eleitos pelo povo com mandato certo e compromissos políticos claros e assumidos.

Leio na comunicação social que Marques Mendes vai renunciar ao mandato na Assembleia da República depois de ter perdido as directas. Se fôr verdade, faz mal. Os eleitores de Aveiro não têm culpa que os militantes do PSD tenham escolhido outra pessoa para liderar o Partido. Quando votaram nas últimas legislativas o líder do PSD era Santana Lopes e mesmo assim, confiaram em Marques Mendes para os representar no Parlamento. Agora ficam sem representante.

Leio na comunicação social que Ribau Esteves vai sair da Presidência da Câmara Municipal de Ílhavo para ser Secretário-Geral do PSD. Aplica-se-lhe exactamente o mesmo que antecede em relação a Marques Mendes. Faz mal. Não se devem deixar coisas a meio. Afinal, tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais…

Nada disto tem a ver com as pessoas em si, pelas quais, independentemente de discordâncias políticas tenho apreço pessoal e simpatia. Tem a ver com comportamentos políticos que degradam o valor da democracia ao tornarem secundário e de somenos o compromisso eleitoral.

É legítimo que os cidadãos se questionem se vale a pena votar se nunca se sabe se o eleito não sai a meio para ir fazer outra coisa qualquer que não executar o programa em que eles confiadamente e de boa fé votaram. São exemplos destes que contribuem para aumentar a abstenção e o descrédito da política.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quarta-feira, agosto 29, 2007

(1506) O QUE SE PASSA COM MARQUES MENDES?

"Isto é um crime!, disse o líder do PSD referindo-se à limpeza de Dalila Rodrigues do Museu Nacional de Arte Antiga através do aspirador do ministério da Cultura. Marques Mendes definitivamente perdeu o sentido das proporções. Condenável a actuação do Governo? Sem dúvida. Mas crime? Crime? Recomende-se a Marques Mendes, se está preocupado com os crimes que se vire para outros lados. E, se calhar, nem tem de se mexer muito. Por estas e por outras é que ninguém o leva a sério. Já agora: está Marques Mendes disponível para visitar um sem número de saneados competentes por Governos do PSD? Teria muito que fazer.

segunda-feira, julho 30, 2007

(1430) A BALDA

E Sócrates lá se baldou em grande ao encerramento do Congresso do PS Madeira. Mandou o seu ministro que profetizou um golpe de Estado constitucional se Cavaco Silva ganhasse as eleições presidenciais. O Primeiro-Ministro estava no condado do All Garve, with Mr. Pinho and others, anunciando hotéis que já estavam anunciados, exactamente com a mesma técnica de propaganda de Alberto João Jardim, e um hospital para 2012 (dois mil e doze). Of course. Presumo que Sócrates não vai à Madeira pela razão inversa daquela que leva Marques Mendes a ir à Madeira. Este vai porque ganha votos. Sócrates não vai porque os perde. Sinceramente não sei o que é pior.

domingo, julho 22, 2007

(1365) PESSOINHAS (3)

Três: Luís Filipe Meneses. Anda há dois anos a massacrar Marques Mendes. Anda há dois anos a apresentar a sua alternativa a Marques Mendes. Anda há dois anos a dizer que vai ser líder do PSD. Anda há dois anos a gritar "agarrem-me senão vou-me a ele". Agora que há outra vez directas lá no PSD, diz que não vai. De facto, permitir a Luís Filipe Meneses que faça o que diz é maldade que não se faz.

segunda-feira, julho 02, 2007

(1232) UM NÃO PARTIDO

O PSD anda um partido muito engraçado. Durante a Presidência anunciou que não vai discutir temas que desagardem a Sócrates. Agora, depois da barulheira que tem feito com a proposta do referendo à segunda versão da Constituição europeia, desta vez sem "bonecos" para não assustar, diz que não vai fazer da questão do "referendo" matéria de querela durante a Presidência. Ora, uma querela é uma discordância, uma divergência. Acaso deixou o PSD de defender o referendo ao novo Tratado? Por outras palavras: Marques Mendes está de férias. O PSD está de férias. O país passa-lhe ao lado.

domingo, julho 01, 2007

(1227) A TEORIA DO AR

Marques Mendes descobriu que votar em António Costa é dar um balão de oxigénio ao Governo. Nada de transcendente. Votar é dar ar a quem se vota. Como votar em Fernando Negrão, o homem que produz slogans à velocidade da luz, é dar um balão de oxigénio a Marques Mendes.

sexta-feira, junho 29, 2007

(1214) CASTELO DE CONTRADIÇÕES

O presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Paulo Teixeira, eleito pelo PSD, que admitiu ser arguido em pelo menos 21 processos judiciais, garantiu esta semana que o líder do seu partido o convidou para se recandidatar à autarquia em 2009. Estas declarações do autarca foram proferidas em sessão pública da Câmara. Mais, para que não restassem dúvidas, o autarca sublinhou que Luís Marques Mendes «não telefonou a anular o convite», feito «em almoço privado».
Recentemente, num acórdão datado do passado dia 06, o Tribunal da Relação do Porto considerou «manifestamente improcedente» um recurso de Paulo Teixeira, que queria evitar o seu julgamento num processo por burla qualificada e falsificação de documentos. O autarca é arguido neste processo por alegadamente ter vendido, como se fossem seus, terrenos que a sua família já teria transaccionado com a Câmara Municipal para reinstalar a feira local.
Tentando desvalorizar a decisão da Relação do Porto, Paulo Teixeira disse dia 13, ao Diário de Notícias, que era arguido em 21 processos, e posteriormente, em sessão de câmara, admitiu que até podem ser em mais. “Não sei se são 21 ou 30. Até podem ser 50. Não é por isso que vou deixar de dormir descansado», afirmou o autarca social-democrata, após um repto da oposição socialista para clarificar a matéria desses processos. Paulo Teixeira disse ainda que quando se candidatou à autarquia, em 2001 e 2005, já era arguido em processos judiciais. Paulo Teixeira assegurou ainda que vai terminar o mandato para que foi eleito em 2005. «Posso ir a tribunal, mas vou terminar o mandato para o qual fui eleito em 2005, mesmo que os socialistas falem do assunto 500 vezes em sessão de Câmara», garantiu.
Este caso, embora haja outros, é paradigmático da falta de critério e de coerência de Marques Mendes. Um arguido, qualquer arguido, é inocente, até trânsito em julgado de sentença condenatória. Na política, o problema é a falta de credibilidade para gerir a coisa pública que está em causa nas situações em que os autarcas se encontram nesta situação.
Para Marques Mendes, Valentim Loureiro e Isaltino Morais não serviram por não serem credíveis, mas Paulo Teixeira já serve e já é credível. O problema de Marques Mendes não está nas decisões que toma. Está, sim, nas que não toma.

O balanço é um mar de contradições, ou melhor, mais propriamente, um castelo de contradições. É pena. Portugal precisa de consequência na limpeza da vida pública. Mas já se percebeu que com o PSD, essa consequência tem dias. Que é como quem diz, é só para alguns e não para todos.


(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

sexta-feira, junho 15, 2007

(1137) UM PAÍS MIRABOLANTE

Marques Mendes anunciou que nos próximos seis meses não será líder da oposição. Digamos que o PSD anda mesmo muito baralhado e confuso. Por mim desde já declaro que manterei a mesma atitude relativamente ao Governo que nos tem desgovernado. E mais, considero ser estrita obrigação do Governo representar decentemente Portugal no exercício da Presidência do Conselho da União Europeia. Ou será que essa Presidência vai servir de pretexto para uma mordaça? Era só o que faltava.

sexta-feira, junho 01, 2007

(1078) OS AMNÉSICOS

Paulo Portas e Marques Mendes foram ministros de Durão Barroso justamente no Governo que apresentou o projecto da Ota em Bruxelas para efeito do financiamento. Hoje, fazem gala de discordar, duvidar, perguntar, criticar. A isto chama-se oportunismo e desonestidade políticas. E agora, com a oportunidade das eleições intercalares em Lisboa, perderam a vergonha e juram que já no século V antes de Cristo eram contra a Ota.

A verdade é que é o Governo de Durão Barroso que está na oposição parlamentar ao PS. Ou seja: numa palavra, é uma oposição sem credibilidade e incapaz de dar um futuro melhor a Portugal. Já deram o que tinham a dar e deram bem pouco.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

quinta-feira, maio 31, 2007

(1069) ENFIM, A OTA

Sócrates inflexível sobre a Ota. E insiste que a decisão foi tomada em 1999 e confirmada pelo Governo de Durão Barroso que apresentou o projecto em Bruxelas para ser financiado. E explora as contradições do PSD sobre a Ota. Que não são poucas, diga-se.

(1067) A RESPOSTA DE SÓCRATES

Boa resposta de Sócrates a Marques Mendes sobre a não consideração dos erros de português nas provas de aferição de português. Os critérios vêm do tempo de Marques Mendes e dos desgovernos do PSD, nos quais Marques Mendes orgulhosamente participou. Conclusão: nem um nem outro servem para o país!

(1066) DEBATE MENSAL: MARQUES MENDES

Boa intervenção de Marques Mendes, com cinco medidas alternativas no tema escolhido pelo próprio Primeiro-Ministro: a competitividade. Sobre a actualidade Marques Mendes só não abordou das que eu escolhi, as questões europeias. Certamente porque aí concorda com Sócrates no essencial.

domingo, maio 13, 2007

(966) MAUS EXEMPLOS

O PSD continua sem aprender. Depois da borrada que fez, ao escolher Carmona Rodrigues, e deixou fazer, ao arrastar a podridão municipal até ao limiar do nauseabundo, parece agora querer ser agente activo do pior exemplo que há em democracia: interromper mandatos e compromissos em curso para arranjar candidato para Lisboa. Tirar Fernando Seara de Sintra e candidatá-lo em Lisboa é dizer que os mandatos não valem nada quando o Partido precisa ou entende que o seu interesses vale mais que a nobreza dos compromissos assumidos com os eleiotres. É caso para dizer que Marques Mendes está neste momento a meio caminho de lado nennhum. Há slogans preversos...

sexta-feira, maio 04, 2007

(990) À PORTUGUESA

Na política como na vida a realidade retrata-se em simbolismos. Eles reflectem a substância dos factos que está por detrás da forma. A forma não é neutra. E, por vezes em pequenos pormenores, é que se percebe em que espécie de país em que vivemos.

Neste domínio esta semana foi fértil.

Pina Moura, que durante dois anos acumulou a representação de interesses económicos estrangeiros em Portugal com a representação da Nação na Assembleia da República, pretendeu fazer uma intervenção parlamentar de despedida antes de se ir embora para presidir à Media Capital.

Seria finalmente o dia em que se perceberia que Pina Moura tinha sido deputado. Mas, azar dos Távoras, o próprio Pina Moura já não se lembrava que tinha renunciado ao mandato com efeito no dia em que pretendeu falar e já não pode despedir-se do local onde parece nunca ter verdadeiramente entrado.

Assim se vê o que é o Parlamento para muitos dos que lá passam. Um corredor para algures de que só se lembram quando saiem. Ivoluntariamente e por negligência do próprio, é certo, o silêncio é nesta história, o símbolo dos vícios do sistema político que este ex-deputado representa no seu máximo esplendor. Há pequenos deslizes que revelam toda uma cosmovisão.

Já em Lisboa, assistiu-se a outro formalismo que não deixa margem para dúvidas. O líder de um partido anunciou a queda de um Presidente de Câmara, ainda por cima eleito nas listas do mesmo partido como independente. Este comportamento revela que o político assim apeado na televisão em directo não existe verdadeiramente. Mas também mostra como o que conta é o chefe do partido e não a dignidade mínima do eleito.

É o expoente máximo da partidocracia. Está bem que Carmona Rodrigues é uma nulidade política, como os últimos meses vieram provar. Está bem que é incrível como o ainda Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma função muito mais relevante politicamente que pelo menos metade dos ministérios do Governo, tem andado calado e a fugir literalmente pelas ruas onde é localizado pela comunicação social, para não ter de dar explicações sobre o Titanic em que a sua equipa se transformou sob seu comando.

Mas Marques Mendes devia ter sido o último a falar. A responsabilização pelo exercício do poder, saudável regra que nas democracias dos nossos dias todos proclamam e reivindicam foi assim remetida, em Lisboa, para debaixo dos móveis carunchosos de um sistema político cheio de vícios que os principais partidos e os seus líderes insistem em exibir despudoradamente.
(publicado na edição de hoje do Semanário)

quinta-feira, maio 03, 2007

(988) LISBOA


(Bandeira e Brasão)

O país acaba de assistir nestes dois dias a uma das mais degradantes telenovelas venezuelanas de que há memória na política. Não tenho comentado a situação de Lisboa até agora porque sempre me pareceu que o jogo não estava terminado. Mesmo após a comunicação de Marques Mendes de ontem, não sei porquê, mas cheirou-me a precipitação todas as análises que se seguiram. Está explicado porque foi Marques Mendes o primeiro a falar. O que me apetece dizer é que Lisboa não merece nem Marques Mendes, nem Carmona Rodrigues, o qual não percebeu sequer a realidade em que está afundado. Politicamente falando, entenda-se. Lisboa não merece isto. Mais do que saber quem mente, se Marques Mendes quando disse ontem que Carmona Rodrigues tinha coincidido na sua análise, se Carmona hoje quando disse que reservou a Marques Mendes a sua liberdade de decidir hoje, interessa mudar. De políticos e de comportamentos. A pouca vergonha tem limites e no caso de Carmona Rodrigues não é de agora que eles foram excedidos. Veremos quanto a Marques Mendes se os limites também foram ultrapassados. Quanto a Lisboa, bom senso precisa-se. Quem tem?
(publicado em O Carmo e a Trindade)

sexta-feira, abril 27, 2007

(949) DEBATE MENSAL (3): A NOVIDADE

Novidade foi a excelente prestação de Marques Mendes, a quem desta vez, Sócrates não conseguiu ganhar o debate como sucedeu noutras alturas. O "Eu não abuso do poder" que Sócrates se viu na obrigação de dizer ficará para a história. E sabe-se lá o que ela nos reserva.

sexta-feira, abril 06, 2007

(811) ACTUALIDADE POLÍTICA

Em 06 de Abril de 2002, tomou posse o XV Governo Constitucional, formado pela coligação PSD-CDS/PP, chefiado por Durão Barroso. Marques Mendes era ministro dos Assuntos Parlmentares e Paulo Portas, ministro de Estado e da Defesa. Uma tripla de sucesso, como se sabe.

quinta-feira, março 29, 2007

(769) PAGAMENTOS POR CONTA NA OTA

Saiba quem me lê que no preciso momento em que o país discute finalmente a construção de um novo aeroporto e a sua localização, a União Europeia já começou a pagar a sua pequena parte da obra: 170 milhões de euros. Trata-se, como é evidente, de uma esmola insignificante num projecto que custará 3,1 mil milhões de euros a cálculos actuais e que custará certamente muito mais como todas as obras públicas em Portugal. Bruxelas, até agora, só desembolsou 8,5 milhões. Nem para pagar os estudos deve chegar.

Este caso ilustra bem a forma mentirosa e opaca como se faz política em Portugal. Os governos decidem e assumem compromissos financeiros em nome do país, sem que ninguém saiba. Enquanto os cidadãos pensam, ingenuamente, que o processo Ota ainda está no estimulante período de discussão pública, desconheciam que Durão Barroso (lembram-se quem é?) tinha entregue o projecto em Bruxelas. Isto, depois de ter afirmado em campanha eleitoral que enquanto existisse uma criança em lista de espera nos hospitais não haveria Ota nem TGV.

Marques Mendes deve estar certamente lembrado desta decisão, já que foi ministro de Barroso. Ou estará tomado de súbita amnésia? Resta-nos esperar que os grupos ecologistas de serviço encontrem umas aves esquisitas ou locais de nidificação de espécies raras para inverter o facto consumado. Assim se continua a gozar com os portugueses. De Lisboa a Bruxelas, em alta velocidade.
(publicado na edição de sexta-feira do Democracia Liberal)

(764) A CONSPIRATA

O meu amigo António José Seguro apresentou um ror de propostas para reformar o Parlamento. Coisa boa e necessária, já se vê. Mas a coisa começa mal. Então não é que uma delas é a proibição de fumar no Parlamento? Que tristeza. Sendo já há muito tempo proibido fumar no hemiciclo, pretendem agora os reformadores da instituição que é o fumo que inquina a representação nacional. Ao cigarro só faltava mesmo ser a causa dos males parlamentares. Mas pensando bem, talvez a proposta seja para levar a brincar e vise apenas enervar Marques Mendes. Pode ser que se trate apenas de uma conspirata.