Pode-se gostar de Belmiro de Azevedo ou detestá-lo. A tendência nacional é detestá-lo. E por boas razões. O malandro leva-nos a massa quase toda nos supermercados e ainda por cima tem a mania de não querer ser simpático. É rico, uma maçada para o estado em que está o défice e a economia. Bate o pé aos Governos sem medo de dizer mal dos Primeiros-Ministros, o que é uma irreverência intolerável. Não pede licença ao poder para tentar fazer negócios, mesmo sabendo que o poder bloqueia o mercado, não gosta de atrevimentos sem licença e pune implacavelmente as ousadias empresariais que põem em risco a legião de comensais que tem atrás de si. Pior: não vai aos concursos da TVI, mas aparece na Forbes, o que faz dele um irreversível convencido. O problema é que volta não volta ele dá bons exemplos. Ontem anunciou que saía da liderança da Sonae e a entregava ao filho. Quando muitos julgam que ficar é em si mesmo uma virtude, sair pode revelar-se o acto de coragem que no nosso país costuma associar-se à cobardia. Eu acho que Belmiro de Azevedo ontem deu um exemplo. Que devia ser seguido pelos gerontes da vida pública que ocupam o poder na política, nos sindicatos, nas empresas, nas instituições. Mas, claro, isto é poesia. Pura e dura.
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quarta-feira, março 21, 2007
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