sexta-feira, março 28, 2008

(2502) OS PROFESSORES


A representação da disciplina e da autoridade numa sala de aula é feita pelo professor. Os professores de hoje, ou muitos deles, acham normal um conjunto de comportamentos em bom rigor incompatíveis com um ensino digno desse nome. Um exemplo: no ensino superior é vulgar existirem professores que permitem entradas e saídas das aulas que estão a decorrer sem respeito do horário estabelecido. Pelos vistos esta professora acha normal os alunos terem os telemóveis ligados nas aulas. Moral da história: quem dá um dedo arrisca-se a ficar sem a mão. Ou nos entendemos definitivamente que uma aula não é propriamente uma visita à Feira da Ladra, ou então nada feito. E isso começa nos professores. Este laxismo em que vivemos não se paga só com ignorantes. Paga-se também com violência.

3 comentários:

JPG disse...

E com conivência, se me permite.

Durante os (felizmente) poucos anos durante os quais fui professor (13, contando com a formação profissional), assisti a algumas coisas. "Professores" que se sentam nos tampos das secretárias, nos peitoris das janelas e... no chão; "professores" que acham normal que os alunos os tratem por tu ("ó Luís, anda cá!", por exemplo, ouvi eu em plena "vigilância" de provas globais); "professores" cuja única prioridade é safar-se desse dia, dessa semana, desse mês... até à bendita e retemperadora reforma.
Quem está fora do "sistema" de "ensino" não faz a mais pequena ideia do clima de terror politicamente correcto que se vive na "escola" e que vai fazendo escola. Não pode haver "representação da disciplina e da autoridade numa sala de aula" quando o próprio professor (certamente aterrorizado, como vi muitos) se deixa esmagar pela anarquia vigente, inerente, compulsiva.
O caso desta professora é daqueles em que se pode dizer que "estava mesmo a pedi-las"; aqueles "alunos" trogloditas não são a excepção, são a regra. A dita professora, idem. Há que entender o clima, o statu quo, o ambiente de terror latente, obsidiante, tacitamente aceite como uma inevitabilidade. Ninguém, para abreviar conversa, respeita horários, compromissos, prazos; ninguém respeita, para abreviar ainda mais, seja o que for (à excepção do dinheiro e daquilo que o dinheiro implica) ou seja quem for.
Este episódio insignificante apenas deixou de o ser - como, por exemplo, sucedeu com o da "pequena Maddie" - por mero acaso. Aquilo é brincadeirinha. Todos os dias se passam coisas realmente graves nas salas de aula, coisas para as quais todo o mundo se está rigorosamente nas tintas. E a partir de agora muito mais, já que isto serve perfeitamente como peneira para tapar o sol.

Júlia Moura Lopes disse...

subscrevo...

Anónimo disse...

Ó JPG, para quem lá esteve tão pouco tempo, você sabe tudo sobre a escola. Pena ter vindo embora tão depressa, professores assim é que fazem falta.