quinta-feira, novembro 29, 2007

(1972) O DEVER DA VERDADE

(Ficha do livro)

" ... o nosso sistema dito semipresidencialista é inadequado ás circunstâncias do tempo português, porque não assegura a continuidade das políticas nem responsabiliza os seus principais agentes; que temos uma economia cada vez mais debilitada e incapaz de suportar o peso do Estado, que se transformou numa espécie de asilo da Nação; que a importância relativa dos nossos gastos públicos nos arruinará no espaço de uma década se não forem reformadas, com urgência e nomeadamente, as políticas de remuneração do pessoal público e das prestações sociais, com saliência para a Educação, a Saúde, a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações; que mantemos um sistema fiscal pesado, iníquo, instável e inutilmente complicado, cuja produção global de receitas excedeu já os limites convenientes: que os sistemas de ensino, de formação e de justiça são um autêntico desastre, ao serviço do nosso atraso; que os principais partidos políticos estão cada vez mais desacreditados e são meros instrumentos de clientelas, de amigos obedientes e de interesses muitas vezes pouco claros; que os partidos políticos não cumprem as leis que eles próprios criam; prometem o que sabem não cumprirão, criticam na oposição o que fazem no Governo e desculpam-se neste daquilo que é indesculpável não conhecer; que a Administração Pública é demasiado burocratizada e quase sempre nociva ao desenvolvimento; que o Estado, noutros tempos intervencionista, perdeu todos os instrumentos de que se servia e não pode agir nas economias abertas e insinuar práticas keynesianas sem sentido e sem alcance; que a social-semocracia, que todos os partidos parlamentares substantivamente defendem, foi produto da prosperidade económica ora desaparecida e se encontra esgotada pela globalização".
Medina Carreira
Não surpreende que não se fale muito deste livro. Ao sistema não convém exibir a sua nudez.

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