terça-feira, junho 19, 2007

(1160) A CLONE

(Inclinações)

"Maria José Nogueira Pinto, ex-vereadora do CDS-PP na Câmara Municipal de Lisboa, admite votar em António Costa nas eleições intercalares de 15 de Julho, considerando que o candidato socialista é quem tem "melhores condições para governar Lisboa". O que nós ouvimos a Maria José Nogueira Pinto a propósito de Freitas do Amaral, na altura em que, quem porventura nunca levou a sério o que o Professor sempre escrevera e pensara, estava na moda descobrir que ao Professor nunca importaram as companhias, e que elas podiam ser tudo o que estivesse mais à mão. Agora, parece que temos uma clone de Freitas do Amaral na forja. A direita dos salões descobriu que António Costa pode ser o salvador da pátria alfacinha. A direita do calculismo, do oportunismo político, a que direita de aluguer. É pena estragar uma competência e uma reputação a saltar poças na esquerda. Ainda por cima na mais socráticas das esquerdas. Palpita-me que em breve voltaremos a ouvir falar de Maria José Nogueira Pinto.

(1159) ESCÂNDALO DIPLOMÁTICO

Fecham consulados, mas temos Embaixador nas Seychelles. Assim é que é. À grande e à seychelesa.

(1158) O ABORTO OUTRA VEZ

Parece que andam para aí umas pessoas escandalizadas por os médicos exercerem o seu direito constitucional à objecção de consciência no que respeita a efectuarem abortos nos hospitais. Não tarda chegarão os fundamentalistas de serviço a chamar-lhes criminosos. E também andam escandalizads essas pessoas por os hospitais não terem meios para efectuarem abortos. Não entendo a escandaleira. Um dos argumentos do sim no referndo é que não se tratava de concretizar um direito ao aborto, caso em que obviamente os hospitais tinham a obrigação de os efectuar a solicitação das doentes (nos hospitais tratam-se doentes). Mas que se tratava apenas de não deixar prender as mulheres que os fizessem. Ora, então já está. As mulheres que os fixerem já não vão presas, mas não existe nenhuma obrigação nem dos médicos os fazerem nem dos hospitais terem meios de o fazer, porque não está consagrado na lei nenhum direito ao aborto. Ou o argumentário do sim era apenas uma patranha para caçar votos?

(1157) FALTA DE CHÁ

Hoje Alberto João Jardim toma posse. Convidou Sócrates, como faz todo o sentido. O Primeiro-Ministro vai enviar um secretário de Estado. Não faz sentido nenhum. Para Sócrates a Madeira não existe. É o melhor frete que pode fazer a Alberto João Jardim. Não vai lá, não faz campanha pelos seus, não exerce os poderes de representação institucional. Quem é Primeiro-Ministro da República não pode nem deve pôr à frente da representação institucional os seus ódios de estimação pessoal, que parece que são muitos. Nem a provocar Sócrates é bom: se o fosse, teria enviado o ministro das Finanças ou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

(1156) ENTERRAR DINHEIRO NA AREIA

Mário Lino, o ministro que acha que Portugal não deve existir, foi hoje ao Poceirão anunciar a plataforma lojística, num investimento de 500 milhões de euros. Além de enterrar biliões na piscina da Ota, temos um ministro que enterra milhões na areia. Um mãos largas, este homem.

(1155) E VÃO SEIS

Este amigo decidiu começar a distribuir tomates pelo pessoal. E brindou-me com um par deles. Este amigo aqui, também distinguido por outro amigo, decidiu atribuir-me mais dois, o que, republicano confesso, agradeço e retribuo. Sendo assim, vão seis...

(1154) MAIS FESTA

O E, E, E-Jetamos fez três anos. Apesar de doentiamente alagartado é um blogue que vale a pena ler (com excepção, naturalmente, das entradas adoentadas) e três anos já é um posto. Parabéns!

segunda-feira, junho 18, 2007

(1153) ISTO JÁ NÃO É POLÍTICA

Capazes de tudo. No Ota Não.

(1152) E VÃO QUATRO!

O João tem amigos e tem ideias. A vantagem dele é que não mistura os primeiros com as segundas. É também por isso que o Portugal dos Pequeninos é um caso de sucesso num país de insucesso. Por isso tantos o lêem. Fez quatro anos de vida e espero que possa assinalar muitos mais. Vozes assim são raras nos países grandinhos, quanto mais neste. Nem que seja, por vezes, para consolidar melhor as nossas opiniões contrárias às dele, ele faz falta. Parabéns e um abraço!

(1151) PORTJUGALL

O director-geral do Turismo de Lisboa, Vítor Costa, que foi vereador num mandato de coligação PS/PCP, afirmou na revista da Associação de Turismo de Lisboa a propósito da polémica em torno da marca Allgarve: «venham de lá três milhões extra que nós não nos importamos de assinar Llisboa». Eis um mais um homem pragmático surgido do alfobre das esquerdas lisboetas, que não diferem das demais. Um deslumbrado, é o que é. Os milhões turvam as vistas a muita gente, sobretudo a quem foi ideologicamente ensinado a não gostar deles. Eu gosto de gente assim. Sabe-se com o que se conta. Conta tudo. Com os outros, com os que disfarçam, é que é preciso cuidado. Dêem um ministério a esta person. Please, don't let Manuell Pinhau alone.

domingo, junho 17, 2007

(1150) QUE A POLÍTICA NÃO UNA O QUE O ELEITORADO SEPAROU

(O Exterminador implacável)

(Sózinha em casa)

A esquerda francesa, que não percebeu ainda o que lhe está acontecer, tem várias crises por resolver. Mas há uma que parece que não vai nem quer resolver: a crise político-conjugal do casal Hollande. As cenas têm sido grotescas e para a semana terão o seu ponto forte com a publicação do livro do tipo "Eu, Segolene" da política, em que revela, como se os franceses tivessem alguma coisa a ver com o assunto, que pôs o marido fora de casa. Cá para mim vai durar um pedaço dos bons a nova era política em França, salvo imponderáveis. A canalha que se cuide.

(1149) CURIOSIDADE SISTÉMICA

(Os Ewing)

Sabe-se que o sistema, apesar de depender de um pequeno grupo de amigalhaços e negociantes de regime, tem as suas facções. E, por vezes, dentro do sistema, há desavenças, coligações, desforço, intriga, tudo como se Portugal fosse uma espécie de Dallas sem petróleo, um género de família Ewing, sem ouro negro. O nosso ouro negro é o Estado, esse poço sem fundo de manipulação, dinheiro e influência (a vaidade vem por acréscimo). Esclarecido o contexto deste post, pergunto: Cavaco Silva sabia do Otagate? Cavaco Silva sabia que que o estudo da CIP foi amputado, negociado, combinado, moldado, almoçado, sonhado, discutido, debatido, cozinhado, arranjado, lapidado, laminado, falado, construído, pensado, escrito e divulgado em cumplicidade estratégica entre a CIP e Sócrates (o ministro iberista a bem dizer não conta nada)? Se sabia, poderá por gentileza informar a plebe se era a um estudo destes que se referia quando disse que era preciso debater? Se não sabia, poderia por gentileza informar a plebe se considera a sua exigência satisfeita, à luz dos critérios de político não profissional, dotado de desprendimento político-partidário e rigor técnico-financeiro? É favor enviar resposta pelo meio considerado mais adequado. Os figurantes da democracia agradecem.

(1148) O MEDO

(Octopus Vulgaris)

Fala-se de medo nos dias que correm na Pátria. Medo de escrever em blogues, medo de financiar estudos, medo de falar de assuntos quentes na comunicação social, agoara também medo de Directores Regionais de Educação. Funcionam um pouco por todo o lado os mecanismos invisíveis de coacção. De pessoas que escrevem nos blogues, de empresas que financiam estudos contrários às posições do Governo, de jornais que simpaticamente prescindem de jornalistas incómodos, e alguns visíveis como processos disciplinares. Valha a verdade que este fenómeno não é novo. Não é um exclusivo de Sócrates. Já foi assim, apenas porventura com variação da intensidade e do grau, com o PSD e com o CDS no poder.
Especialmente no que toca aos empresários, o medo de se saber que pagaram um simples estudo, que por ironia dos Deuses se vem a saber agora que foi combinado com Sócrates, revela apenas que em Portugal continua a não ser possível a economia funcionar sem o Estado. Quando um empresário que arrisca o seu capital precisa do Estado para ter hipóteses de sucesso, é porque não há mercado a sério, propriedade privada a sério, liberdade económica a sério. E esse é, há séculos, quer se queira quer não, o principal factor do atraso económico e social do país.
Mas há que dizer ainda outras duas coisas. Alguns dos chamados grandes empresários portugueses sempre preferiram acoitar-se no amparo dos dinheiros públicos e do encosto com o poder do que experimentar o negócio a sério. Dá mais trabalho certamente. É ver nomeadamente a pouca vergonha que se passou com as chamadas privatizações, que foram devoluções e não privatizações, com concursos públicos de fachada em muitos casos, com resultado pré-decidido.
Por último: desta situação tanto é responsável a pequenez dos políticos portugueses que têm tido o sortilégio de manobrar o Estado, como as vítimas deles, ou seja os portugueses, e no caso do estudo da CIP os financiadores ocultos, que preferem não se incomodar e denunciar. Como vêem agora, Roma não paga a traidores, mas também não paga a cobardes, esses idiotas inúteis nas mãos do poder (mas aqui para nós, caros empresários, a verdade é que já o sabiam, não é assim?).
Depois de ler o link que antecede, digam-me lá se isto tem salvação...

sábado, junho 16, 2007

(1147) REVISTA DE BLOGUES (30)

A política criminal no seu pior, por José António Barreiros, no Patologia Social.
Liberdade de expressão (nem de propósito), por Vítor Sequinho dos Santos, em O Meu Monte.
Há Medo, por Nuno Garoupa, em A Reforma da Justiça.

(1146) HOMÓNIMOS (20)

Jorge Ferreira, um blogger de 30 anos que diz que vive na Nova Zelândia! Rasgamortalha!

(1145) PROVINCIANISMO MILITANTE

Um obscuro orgão de consulta do Presidente da República, que tem o mister e dever de aconselhá-lo sobre a forma como usa os seus parcos poderes, reuniu esta semana e disse, mais coisa menos coisa, que a Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia deve ser assim mais ou menos como o Euro 2004. Ou seja que todos devem apoiar. O quê apoiar? A cadeira? Os fatos? Os menús dos repastos que vão decorrer por entre intermináveis reuniões? Pois isso o obscuro orgão esqueceu-se de explicar. Apoiar é que sim. Acefalamente. Rebanhisticamente. Para não incomodar Suas Excelencias. Quais Excelencias? Também não sei. As que forem.

(1144) MUITO MAIS QUE UM CLUBE


Pela primeira vez na história do futebol português uma SAD de um clube desportivo é alvo de uma OPA. Apenas algumas semanas depois da entrada em bolsa. É muito divertido ver a inveja que grassa por esses blogues fora por parte de adeptos de outros clubes cujas SAD's estão cotadas há vários anos sem suscitarem o interesse do mais manhoso dos investidores. A verdade é esta: o Benfica é muito mais que um mero clube de chuteiras. Muito mais. Aguentem-se.

(1143) O ESTALINISMO À SOLTA

(Estaline)

Começa a ser sinistra a concepção sobre os direitos fundamentais dos cidadãos que os porta vozes do sistema vão lentamente expondo nas páginas, nas palavras, na opinião. Esta estalinista diferenciação que Fernanda Câncio estabelece entre o direito das mulheres abortarem e o não direito dos médicos à objecção de consciência, faz lembrar outros tempos, outros sítios, outros personagens. Só faltou a proposta final que se deduz de tudo quanto escreve: a um médico que decida defender a vida e invocar objecção de consciência para não fazer um aborto deve-se-lhe apontar uma pistola à cabeça para o obrigar a fazer o aborto. O que pensará Fernanda Câncio da cláusula de consciência dos jornalistas? Será contra?

(1142) HOMÓNIMOS (19)

Jorge Ferreira, cavaleiro da selecção nacional de Hipismo do Brasil.

(1141) 'QUEM SE METE COM O PS, LEVA!"

Cá está. Foi só deixar passar um tempinho. António Balbino Caldeira lá vai de arguido. O diploma de José Sócrates ressuscitou. E que tal esclarecer o que falta sobre a matéria? O pessoal aguenta outra entrevista, que não seja por isso...

(1140) REVISTA DE BLOGUES (29)

Edição especial género separata para efeitos de organização do arquivo da Sra. Directora em exercício da DREN:O Jumento. João Miranda, no Blasfémias. Com reincidência. André Azevedo Alves, em O Insurgente. João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos. Miguel Castelo Branco, no Combustões. Paulo Gorjão, no Bloguítica. Com reincidência. Ena, tanto processozinho! Era bom não era, Sra. Directora?

sexta-feira, junho 15, 2007

(1139) JACINTO LEITE CAPELO REGO

Ainda nós temos a mania de zombar dos defeitos excessivos da democracia. A verdade é que a realidade não pára de nos surpreender. Por vezes somos confrontados com exemplos de cidadania verdadeiramente tocantes, paradigmas de miltância, de dádiva, de entrega desprendida a um ideal ou a uma instituição. Verdadeiros soldados rasos da participação responsável na vida democrática. É o caso hoje divulgado do cívico Jacinto Leite Capelo Rego, um dos beneméritos misteriosos do milhão de euros misterioso que foi misteriosamente entregue ao misterioso CDS e que parece, ao que dizem (em Portugal nunca se sabe...) estar misteriosamente sob investigação. Mistérios, no fundo, da própria democracia, que vão povoando o imaginário mítico da entrega à cousa pública. Sempre misteriosamente desinteressada.

(1138) LISBOA EM DELÍRIO

A pré-campanha das eleições intercalares de Lisboa corre de feição a toda a sorte de patologistas desocupados. Depois um candidato que dizem que faz falta (ao anedotário, concedo!) de ter prometido uma praia no Cais de Sodré, eis que outro quer fazer casamentos gay no Salão Nobre da Camara Municipal de Lisboa. No meio disto tudo o drama é que ainda falta um mês para as eleições pelo que nos devemos preparar para um desfile de delírio. A coisa promete. O disparate anda à solta em Lisboa.
(publicado em O Carmo e a Trindade)

(1137) UM PAÍS MIRABOLANTE

Marques Mendes anunciou que nos próximos seis meses não será líder da oposição. Digamos que o PSD anda mesmo muito baralhado e confuso. Por mim desde já declaro que manterei a mesma atitude relativamente ao Governo que nos tem desgovernado. E mais, considero ser estrita obrigação do Governo representar decentemente Portugal no exercício da Presidência do Conselho da União Europeia. Ou será que essa Presidência vai servir de pretexto para uma mordaça? Era só o que faltava.

(1136) ASSIM SE DESGOVERNA

José Sócrates sabe melhor que ninguém que os últimos seis meses foram um desastre para o Governo. Sabe melhor que ninguém que não se pode dar ao luxo de perder as eleições de Lisboa. Sabe melhor que ninguém que a Presidência portuguesa não pode ser ensombrada por um ministro que se sabe já de ciência certa ser um erro de casting. E sabe que não pode comprometer a cooperação estratégica com Cavaco Silva. Seria empreitada a mais para um homem só.

Assim se explica o aparente recuo do Governo na Ota. Aparente, porque a verdade é que o golpe do estudo do LNEC, apesar de ter sido um sucesso mediático, tem demasiadas fragilidades para ser sincero, autêntico, profícuo.

Em primeiro lugar, se o Governo tivesse tomado um banho de humildade política não tinha mandado estudar a localização de Alcochete. Tinha, sim, mandado estudar todas as localizações possíveis, incluindo a mais barata de todas, que é a da manutenção do aeroporto da Portela, com um aeroporto de apoio. Não o fez, o que mostra que a preocupação do Governo não é estudar para tomar uma decisão fundamentada, mas apenas fingir que estuda para manter no final a sua teimosa posição de sempre: a Ota.

Em segundo lugar, se o Governo estivesse de boa fé política, não tinha encomendado o estudo técnico a uma entidade dependente do Governo, por muita competência e qualidade que tenha, como é o caso do LNEC. Tinha encomendado o estudo a uma entidade independente. Sabe-se o que aconteceu aos técnicos da NAV que se atreveram a discordar da Ota: foram literalmente corridos. Ninguém no LNEC desejará entrar no index do ministro Mário Lino.

Em terceiro lugar, o anúncio da encomenda ao LNEC esbarra com a catadupa de certezas inabaláveis, incluindo uma inaudita torrente de disparates, que o Governo afirmou nos últimos meses em defesa da Ota. Do jamais, jamais, ao deserto, passando pelas afirmações de Sócrates no Parlamento, sempre insistindo na Ota e na necessidade de avançar já, até à grotesca exigência de apresentação de estudos a quem criticava a opção Ota, como se o Governo não existisse justamente para estudar antes de decidir, de tudo se ouviu, forte e feio, para que o anúncio feito agora tenha credibilidade.

Em quarto lugar, somam-se indícios de que a decisão sobre a Ota vai avançar independentemente do estudo. Se a vontade do Governo fosse autêntica, como se explicaria que, apesar da encomenda do novo estudo, o Governo vá entregar em Bruxelas até 20 de Julho o projecto de construção do aeroporto na Ota para efeito de financiamento comunitário? Será que, afinal, o Governo já conhece as conclusões do estudo que encomendou? O que fará, se por milagre o LNEC aconselhar Alcochete?

O modo como o Governo tratou este assunto é bem elucidativo da forma como se governa em Portugal. Ou melhor, da forma como se desgoverna.
(publicado na edição de hoje do Semanário)

(1135) AVEIRO JAZ NAS GAVETAS DO PS

Enquanto a Associação dos Antigos Alunos da Universidade de Aveiro tem agendada para o próximo dia 29 a realização de uma tertúlia sobre a "Gestão do Stress", pode dizer-se que “stress” é cousa de que o Governo do PS não padece em relação a Aveiro.
É sabido que nos últimos tempos o Governo só tem tido olhinhos para as trapalhadas políticas em que se tem metido, com o insuperável José Sócrates à cabeça, e para Ota. Parece que as necessidades do país se esgotam na megalomania do ministro iberista, que acha que Portugal não devia existir como Estado independente, Mário Lino, o mesmo que não tem feito outra coisa senão tratar da Ota e criar um compêndio do disparate político como há muitos anos não se via por cá.
Mas o país é muito mais do que isto. E as necessidades dos portugueses muito mais do que as travessuras do Governo e dos seus membros.
Pode com propriedade dizer-se que, transcorridos que estão mais de dois anos de mandato deste Governo, o distrito de Aveiro e as suas necessidades estratégicas de desenvolvimento jazem nas gavetas do esquecimento do Governo.
Há vários exemplos como, em matérias estruturais para os interesses do distrito, o silêncio e a passividade são a marca do desinteresse socialista pelos problemas de Aveiro. Um, tem a ver com a falta de Plano de Ordenamento da Orla Costeira. O outro, diz respeito ao abandono da Ria de Aveiro em termos de enquadramento de gestão estratégica.
Ainda esta semana Ribau Esteves chamou a atenção e muito oportunamente para o facto de já ter decorrido mais de um ano sobre o fim do prazo de consulta pública a que foi sujeito o POOC e ainda se estar à espera das decisões para a sua aplicação concreta no terreno.
Ora, como sabemos, se há zona do território carecida de ordenamento é justamente a orla costeira, que nos últimos anos tem sido sujeita a uma erosão que criou enormes problemas às populações. O litoral português, já de si sobrecarregado com o êxodo de populações do interior que se tem continuamente verificado nos últimos anos, depende de mais de trinta- entidades-trinta diferentes, cada uma a puxar a brasa à sua sardinha. Mas o Governo não quer saber.
Relativamente à Ria de Aveiro e desde que o anterior Presidente da República vetou o diploma do Governo do PSD que resolvia o problema da gestão da Ria, devido à convocação das últimas eleições legislativas, que o Governo do PS fez rigorosamente nada. A Ria continua, na prática, ao abandono da miríade de intervenientes tutelares que a governam sem estratégia de conjunto, o que significa que uma riqueza natural única, um património natural sem igual, está desgovernada.
O que é feito do famoso lobby de Aveiro nos corredores do poder de Lisboa? Com que andam distraídos os deputados por Aveiro na Assembleia da República? Não faço ideia. O que sei é que os problemas continuam por resolver, o que indicia que andam certamente ocupados com muitas coisas menos com os problemas das populações que os elegeram.
Já sabíamos que o ministro do Ambiente é uma nulidade política neste Governo. Mas o que não imaginávamos é que o Primeiro-Ministro se teria de repente tornado tão insensível aos problemas ambientais que em tempos teve a responsabilidade de resolver como ministro do Ambiente de António Guterres.

Post-Scriptum: O ano passado chamei a atenção para o facto de Aveiro ter todas as condições para ter uma feira do livro que constituísse uma referência cultural à altura das tradições e da cultura da cidade e do distrito, mais a amais dispondo de uma Universidade prestigiada em Portugal e no estrangeiro. Sei que Élio Maia o ano passado dedicou alguma atenção ao assunto. Infelizmente e depois de visitar a feira deste ano, tenho de insistir na crítica e na chamada de atenção para a falta de dinamismo da Câmara Municipal neste domínio. Nesta matéria, o Vereador do pelouro não está lamentavelmente á altura das exigências e das necessidades. Aveiro é que perde. É uma pena.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quinta-feira, junho 14, 2007

(1134) A GEBALIS, OUTRO ESCÂNDALO

Depois de se reunir com a Gebalis, a Nova Democracia emitiu as seguintes considerações:
"1.A nossa posição defensora da extinção das Empresas Municipais reforça-se. 2. Os Bairros Sociais são hoje bancos de votos para o PS e o PSD. 3. É altamente escandaloso que existam pessoas a viver em Bairros Sociais que possuam segunda habitação fora da cidade de Lisboa. 4. O PS e o PSD têm uma gestão eleitoral dependente da manutenção dos Bairros Sociais tal qual se encontram estruturados. 5 Existem candidatos do Partido Social Democrata que são caciques eleitorais que mantêm secções distritais do próprio partido à custa da entrega de casa para determinadas famílias. 6. O escândalo em que a cidade de Lisboa se mantém em matéria de Habitação Social é para nós sinonimo de corrupção política que importa rapidamente destruir e combater. A Lista da Nova Democracia não se calará enquanto todo este sistema politicamente corrupto não for extinto."
Quem fala assim não é gago.

(1133) MAUS EXEMPLOS EM LISBOA

O Governo acaba de chegar a acordo com Isaltino de Morais para transferir o IPO de Lisboa para Oeiras. O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras está acusado da prática de crimes, sendo inocente até trânsito em julgado de sentença condenatória. O PS está coligado na Câmara Municipal de Oeiras com o dito Isaltino.

Só não percebo por que razão o PS trata tão mal Fátima Felgueiras. Só não percebo por que razão o PS quer obrigar os autarcas acusados a suspender os mandatos. Só não percebo por que razão António Costa está calado sobre o IPO. Ou se calhar percebo tudo. Como diz o povo, estão todos bem uns para os outros.

Nas eleições em Lisboa, há uma grande oportunidade de mudar este estado de podridão em que mergulhou a democracia portuguesa. É votar em Manuel Monteiro e na Nova Democracia. Oxalá a aproveitem.

Já agora: o Parque Mayer faz hoje 85 anos. Abandonado, desprezado, inacabado, destruído, ele é o melhor símbolo da falência política da CML nas últimas décadas. Uma cidade que resiste a este desleixo durante tanto tempo, só pode ser uma grande cidade. E só pode ter muita paciência.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

quarta-feira, junho 13, 2007

(1132) O MÁRIO LINO DE LULA

É Marta Suplicy, a ministra do Turismo do impagável Lula da Silva, que para resolver a crise dos aeroportos brasileiros, onde se passam horas à espera de avião e para sair do aeroporto, aconselhou o pessoal a "relaxar e gozar". Não sei se a senhora estava a sugerir uma espécie de prostituição de Estado, eminentemente socialista, controlada pelo Estado, para compensar os utentes dos aeroportos da conflitualidade laboral. Mas, ao contrário do que aconteceu com o ministro de cá, a ministra de lá pediu desculpa, dizendo que não pretendia zombar do sofrimento das pessoas nos aeroportos.

(1131) REVISTA DE BLOGUES (28)

Proteger as enguias, em Os Amigos da Ria.
Palavras para quê?, pelo José Barão das Neves, no Tubarão.
Oh freguês! Vai um manjerico?, pela MP, no Eclético.
Vertigem, por Torquato da Luz, no Ofício Diário.
Transparências, por Sai Si Si, em Confissão do Silêncio.
Arroz doce, por Onanistélico, em O Tupperware Onanista.
Só a actual? Acho que sempre foi!, por Diogo Mendes Silva, em O Que Diz Ele.
Mais que as mães, por RT, no Táxi.

(1130) A VENEZUELA CÁ DENTRO

Certamente inspirado pelos elogios do secretário de Estado António Braga à competência de Hugo Chavez, Aníbal Cavaco Silva decidiu passar uma reprimenda pública, em comunicado oficial da Presidência da República, à RTP, por esta ter interrompido por duas vezes a estimulante transmissão em directo das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A tentação de Cavaco Silva intervir na comunicação social, para os mais esquecidos vem de longe, vem do Governo, onde tinha ministros especializados no assunto. Não se estranha, pois, que a coerência se mantenha, já que se sabe da estabilidade de Cavaco Silva, nas virtudes e nos defeitos. O que é espantoso é que a RTP se tenha vergado e pedido desculpas pelo sucedido, tendo de imediato anunciado uma retransmissão integral das comemorações! Quem julgava que a tentação de intervir na Comunicação Social era um exclusivo de José Sócrates e do seu Governo, está redondamente enganado. Em Belém mora a mesma tentação, embora agora menos visível porque as oportunidades do Presidente ficar desagradado com a política editorial da comunicação social são proporcionais aos seus poderes, ou seja, poucas. Atenta, veneranda e obrigada, a RTP, mostra a sua natureza de departamento audiovisual do sistema. Quanto ao Presidente, esse, estará impante do sucesso da reprimenda. E Portugal, então, coitado, lá vai cantando e rindo conforme lhe deixam os poderes em execrcício.

(1129) AFINAL, É VERDADE

O Zé faz mesmo falta. Ao anedotário alfacinha. Agora quer fazer uma praia no Cais do Sodré. E não se lhe pode embargar a verve?

(1128) AMIGOS QUE NÃO VEJO HÁ MUITO TEMPO (1)

É o caso do António Vassalo Lourenço, hoje maestro e director artístico da Orquestra Filarmonia das Beiras. As voltas que a vida dá.

(1127) AO LONGO DOS TEMPOS

(Santo António)

Em 1231, morre em Itália um franciscano português nascido em Lisboa, canonizado pelo papa Gregório IX em 1232 e declarado Doutor da Igreja por Pio XII, em 1946. Chamava-se de nome civil Fernando de Bulhões mas todos o conhecem por Santo António. Em 1935, o Estado Novo criava a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho, FNAT. Em 1941, o Governo de Pétain anuncia que 12.000 judeus de França foram deportados para os campos de concentração por impedirem a cooperação franco-germânica. Em 1971, François Mitterand torna-se Secretário-Geral do PS francês. Em 2005, morre Álvaro Cunhal, antigo Secretário-Geral do PCP.

(1126) A DIREITA QUE EU ENTENDO NECESSÁRIA


Por bondade do Pedro Guedes fui convidado a dizer de minha justiça sobre a direita, num número da excelente revista Alameda Digital, onde conto com muitos e bons amigos. O prato-forte escolhido foi justamente debater sobre as direitas. A minha é certamente a menos valiosa das contribuições publicadas. Há por lá muito e bom para ler. Agradeço publicamente o convite, que muito me honrou, para escrever na revista e, para os ociosos, aqui fica a ligação para o textinho, que desta vez, sai ileso das polémicas de ocasião e dos sound bytes tão em voga.

terça-feira, junho 12, 2007

(1125) O HOMEM SOLTOU OS CÃES

(Huskies Siberianos)

Blair tem menos encanto na hora da despedida. O homem decidiu soltar os cães, como sói dizer-se e chamou matilha selvagem aos jornalistas e quer mais controle da Internet. Blair, o Enorme Condutor do Povo pela Terceira Via, sai em grande dos palcos. Palpita-me que estas considerações cobardolas que só se fazem quando se sai terão selváticos adeptos por cá. Sempre foi, é e será difícil conviver com a liberdade de imprensa. Os socialistas, que têm a mania de se apresentar como os campeões da liberdade de expressão, quando lhes toca à porta a liberdade, são iguaizinhos aos piores.

(1124) OS ATRAPALHADOS

"Há mais de 40 anos que se fala de um novo aeroporto, sempre se apontou para a Ota, todos os estudos diziam Ota. Temos algum receio que venham mais estudos daqui por seis meses ou um ano que venham atrapalhar", disse o Presidente da Associação de Municípios do Oeste, que hoje foi recebido pelo ministro iberista. O inspirado e atrapalhado autarca exigiu também conhecer os técnicos que elaboraram o estudo da CIP. Eu também gostava de saber quem são os proprietários dos terrenos confinantes com a localização do aeroporto na Ota, de preferencia sem recurso aos testas de ferro. E as Camaras Municipais, a quem o ministro iberista disse incumbir essa divulgação, nunca o fizeram. E também gostava de saber que interesses ficam atrapalhados por se estudar outra localização que não a Ota.

(publicado no Ota Não)

(1123) NO PORTO TAMBÉM?

Vai haver eleições para a Camara Municipal do Porto?

(1122) SLOGANS PARA LISBOA

Fernando Negrão: Bragaparcar a Sério!
Ruben de Carvalho: Bragaparcados de todo o Mundo, Uni-vos!
Carmona Rodrigues: Eu Bragaparco, Diga Não Às Imitações!
Helena Roseta: Olha o António!
Manuel Monteiro: Bragaparquem-se uns aos outros!
Telmo Correia: Ou Há Bragaparcalidade ou Comem Todos!
António Costa: Cheguei! Deixei as Polícias.
Sá Fernandes: A Bragaparques Faz Falta!

(publicado em O Carmo e a Trindade)

(1121) EDUCAÇÃO? DE QUEM?

Uma senhora que dirige um serviço do Ministério da Educação e que por isso devia ser mais educada, parece ter-se tornado um caso de política. Não devia. A senhora, inserida no monstro burocrático do ministério, deve ter muito mais que fazer do que perseguir por delito de opinião e de botar postas de pescada sobre o reenvio de sacerdotes autarcas para sacristias. Se a senhora fosse um aeroporto já estou a ver a ministra a mandar fazer novo estudo sobre a localização da senhora para ganhar tempo a ver se o pessoal se esquece de que ela existe. Como não é, o caso, que é de política, ameaça tornar-se uma deprimente telenovela de Verão, que contribuirá para alimentar o lume brando em que arde lentamente a popularidade do homem que manda fechar o trânsito nas capitais europeias para dar umas corridinhas. Não tarda ainda tem é que dançar o corridinho.

(1120) A PROPÓSITO DE UM ABAIXO-ASSINADO

A primeira vez que escrevi para um jornal foi uma Carta ao Director. Que jornal? O Diário Popular, o jornal que desde sempre o meu pai comprava diariamente e onde aprendi a ler e escrever de par com a antiga A Bola (além, claro, da escola), no tempo em que era preciso saber bom português para fazer jornais. Era ainda o tempo em que não se dera o homicídio dos vespertinos. Iam levá-lo a casa, da papelaria mais próxima, lá por volta das 18 horas, ainda no tempo em que em Lisboa existia a venda de bens essenciais como pão, leite e jornais ao domicílio. Cresci a lê-lo, ao sabor dos tambolhões que a história também provocou nos jornais, designadamente a esquerdização e as nacionalizações de 1975. Valeu-me que a partir do momento em que passei a dispôr de alguns escudos, ainda no tempo em que havia escudos, aprendi a contrabalançar o diário de casa com outras publicações de direita, embora raras e difíceis.

Pois bem: no dia 03 de Maio de 1979 foi publicada a minha carta ao Director, cujo nome já não recordo, embora me lembre do nome de vários Directores do jornal. E sobre que assunto versava o primitivo textinho? Sobre a usurpação pelo 25 de Abril do nome do responsável pela construção da primeira ponte sobre o Tejo. Dizia assim:" Dirijo-me (...) no sentido de protestar contra o que considero ser uma injustiça o que se está a fazer com o nome pelo qual é designada a ponte sobre o Tejo. Com efeito, todos sabemos a quem se deve a sua construção, pois se a memória dos políticos é por vezes curta, a do povo chega perfeitamente para nos lembrar que foi o Prof. Salazar quem a mandou construir, e não aqueles que na sequência do 25 de Abril têm governado o país".

Vem esta memória a propósito de abaixo-assinado em curso de que tomei conhecimento através do João Gonçalves. Eu vou assinar. E, já agora, tenho comigo o recorte da cartinha de 1978. Esta mania de guardar papéis...

(1119) MOMENTOS ORTODOXOS

José Sócrates acha que ninguém pode dar lições de direitos humanos e democracia à Rússia. António Braga elogia a competência do tirano Chavez na Venezuela. Mário Soares continua deslumbrado com o repetente Chavez e com o clássico Lula. Ainda dizem que o PS virou à direita...

segunda-feira, junho 11, 2007

(1118) HÁ HORAS FELIZES

(Fechaduras)

Das notícias do fim de semana retenho que a vida continua a correr bem para muita gente apesar da crise. A PJ investiga depósito de um milhão nas contas do CDS. Invejosos é o que é. Já não se pode passar pelos ministérios descansadamente. É verdade que O Independente está morto e enterrado como estava previsto. Mas há sempre uns desmancha-prazeres que gostam de estragar as festas. Já agora, talvez do milhão se possam retirar uns cêntimos para comprar um chaveiro novo. Parece que vai ser preciso.

(1117) CUIDADO COM A PROPAGANDA!

O anúncio do novo estudo sobre a localização do novo aeroporto em Alcochete é mesmo a sério? Maus prenúncios, no Ota Não.

(1116) OS NOVOS CARDEAIS

(BBC)

Vital Moreira tem desempenhado o papel de novo Cardeal do PS. Depois de Pina Moura com António Guterres, Vital Moreira tem sido o Cardeal que José Sócrates merece. Tal como vários outros, Vital Moreira vem do PCP, onde irreversivelmente fez a sua cabeça e moldou, para o bem e para o mal, o seu carácter. Nos momentos chave(z), tudo isto vem ao de cima. Em Mário Lino, como em Vital Moreira. O problema é quando a natureza que vem ao de cima não vem na mesma altura em todos. Aí, o caldo entorna-se. É o caso da decisão de mandar estudar a localização do novo aeroporto em Alcochete. A natureza ortodoxa de Vital Moreira veio ao de cima. Realmente deve ser chato, depois de se produzir tanta propoaganda sobre a Ota, como é o caso de Vital Moreira, ver o Governo recuar e tirar o tapete aos artigos. É a vida ...

(1115) GOVERNO ESTUDA POVOAMENTO DO DESERTO

O Governo recuou na teimosia e na obsessão e vai mandar estudar a localização de um novo aeroporto em Alcochete. Isso mesmo, disse bem: Alcochete, em pleno deserto. Parece que, finalmente, o Governo decidiu ter uma política nova: a do povoamento do deserto. Ainda assim, depois de tanto disparate dito e redito pelo ministro iberista, esta novidade só pode ter um significado: Sócrates decidiu castigar as bocas do ministro iberista sobre as licenciaturas e a Ordem dos Engenheiros mandando-o fazer esta triste figura.

(1114) MISS SERRALVES

Da abundante literatura jornalística que a custo tento actualizar, retenho especialmente a publicação do primeiro blogue de papel que conheço.Um blogue de papel, excelente ideia estreada na edição de sábado pelo Expresso e que não podia ter melhor começo do que por a Miss Pearls a escrever sobre Serralves. Está de parabéns a autora e a Luísa.

(1113) MEDOS

A Sábado, vá lá saber-se por que estranha curiosidade quis conhecer os meus dez medos. Nunca os contei, mas acho que tenho mais. Mas só me deram hipotese de dizer dez. Parece que o medo dos políticos troca-tintas incomodou.

(1112) LIÇÕES DE QUEM SABE

domingo, junho 10, 2007

(1110) VIRA O DISCO E TOCA O MESMO

Apesar de ausente por uns dias em parte certa dei-me conta que o Presidente da República conseguiu encontrar ainda 37 portugueses que mereceram ser condecorados no 10 de Junho, entre eles alguns dos seus inúteis e justamente esquecidos ministros. Os amigos são para as ocasiões. O valos das comendas está pelas ruas da amargura. Qualquer cidadão de valor que lhe calhasse uma ao peito deveria por higiene recusá-la, tais são as companhias.

(1109) A PALHAÇADA DO COSTUME

Os alegados principais candidatos à CML estão a fazer a ladainha irresponsável pré-eleitoral do costume. Prometem tudo o que lhes vem à cabeça: bicicletas, lares, até um tal Zé quer, certamente em delírio, importar 50.000 almas em seis anos para repovoar o centro histórico fantasma que é legítimo património do PCP, do PS, do PSD e do CDS, visto que entre si bragaparcaram Lisboa nos últimos anos.

Do que ninguém fala e do que ninguém quer saber é do númerozinho fatal. E qual é ele? É o montante dos encargos futuros que impendem sobre a CML. A dívida já se sabe qual é. O que não se sabe é quanto vai ser por obra e graça dos compromissos já assumidos para o futuro. Está-se a ver o que vai suceder: quem ganhar vai meter no bolso as bicicletas, os lares e a importação de almas, alegando que a coisa é muito pior do que se pensava. Assim como fez o PSD, o CDS e o PS no Governo da Pátria nos últimos cinco anos.

Fez bem, pois, a Nova Democracia, ao denunciar que o jogo eleitoral está viciado. Porque até agora, na luta eleitoral de Lisboa, apenas temos assistido à palhaçada do costume.
(publicado na edição de sexta-feira passada no Democracia Liberal)

terça-feira, junho 05, 2007

(1108) O VERDADEIRO SÓCRATES

"O secretário-geral do PS, José Sócrates, garantiu hoje que vai participar activamente na campanha do candidato socialista nas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa, António Costa.". Então, como que por encanto, desapareceram os problemas de agenda que impediram o PS Madeira de ter o apoio do líder do seu Partido nas últimas eleições regionais... Afinal foi mesmo cobardia política.

(1107) AFINAL...

(1106) TROCA-TINTAS

Carmona Rodrigues diz que agora é realmente independente, o que significa que há dois anos quando dizia que era independente estava a gozar com a cara dos lisboetas. O PSD agora quer Lisboa a sério nos cartazes, o que significa que há dois anos foi a brincar nos gabinetes.

(1105) ARGUIDOLOGIA (3)

Ainda sobre as preocupações do Procurador-Geral da República sobre o excesso de arguidos inocentes, cumpre recordar que só no DIAP de Lisboa existem mais de 50.000 processos de inquérito arquivados a aguardar as respectivas notificações, o que significa que é o próprio Ministério Público que é responsável pelo excesso de arguidos inocentes, já que dura uma eternidade a notificá-los do arquivamento dos processos.

(1104) AGUIDOLOGIA (2)

Primeiro esclarecimento: é falso que hoje em dia o Ministério Público cumpra o Código de Processo Penal, que manda constituir e tomar declarações na qualidade de arguido a pessoas conrta quem haja denúncia pela prática de crimes. Conheço inúmeros casos em que o Ministério Público viola impunemente esta norma do Código de Processo Penal, tendo já as Relações, em várias ocasiões chamado a atenção do Ministério Público para este facto. Tenho sentenças e acordãos à disposição para quem duvidar do que escrevo.
Segundo esclarecimento: esta prática deve-se a várias razões: ou porque se trata de veneráveis do sistema que lei não escrita não permite que se incomode, ou porque os Exmos. Procuradores não estão para ter maçadas com gente importante e influente, ou porque têm raivinhas contra o denunciante que assina e dá a cara.
Terceiro esclarecimento: a lei prevê a constituição de arguido para defender as pessoas contra as quais corre inquérito ou que são alvo de denúncia. É que os arguidos têm um estatuto processual materializado num conjunto de garantias de defesa que os outros intervenientes processuais não têm.
As palavras do Procurador-geral da República têm por isso um carácter negativo, indissociável da conjuntura que o país vive. Como a seu tempo se verá. Ou muito me engano ou o Ministério Público anda aflito por vir a ter de constituir certas pessoas como arguidas..., enfim, maçadas.

(1103) ACTUALIZAÇÃO

Antigamente eram os meninos rabinos pintam paredes. Hoje continuam a pintar, mas o sistema.

(1102) SOBRE A SONDAGEM BATOTEIRA

Ler comentários de Pedro Magalhães, no Margens de Erro, sobre a sondagem da Data Crítica que foi objecto de queixa do PND na ERC e na CNE.

(1101) BOÇALIDADE


(Bandeira da Letónia)
Parece que uns tugas modernaços desrespeitaram a bandeira da Letónia e vão ser julgados. Por cá, estranha-se. Compreendo o julgamento lá e compreendo a estranheza cá. Respeitar uma bandeira por cá não faz sentido. Num país em que cada vez que um guarda-redes vai repôr a bola em jogo uma horda de energúmenos entoa um coro nas bancadas a chamar-lhe "filho da puta", não se estranha que se estranhe que haja países que não toleram ofensas à bandeira. Eu apoio os letões.

(1100) MAIS UM

Carvalho da Silva está em maus lençóis. Parece que está mal visto nos patrões da CGTP. Um filme repetido que já se sabe como vai acabar. A greve geral abriu um fractura não no Governo, mas nos seus promotores. Chama-se tiro no pé. O bode expiatório vai ser o trabalhador que não habita o seu posto de trabalho há décadas. Mais um com guia de marcha. Os patrões da CGTP não perdoam a mais leve indecisão.

(1099) COISAS ESTRANHAS

Temporariamente afastado da intensa actividade blogueira por motivos pessoais e profissionais, vejo que a Pátria continua como a célebre roda que mexe mas não anda. Surpreendo-me com a oposição à ideia de que autarca acusado deve ter o mandato suspenso. Não era o que todos exigiam para Felgueiras, Loureiro e Morais a bem da higine autárquica? Mas surpreendo-me ainda mais com o Governo, e sim, é possível surpreender-me ainda com o Governo. Por que raio de imaculada beatitude ficam os membros do Governo e o Primeiro-Ministro de fora da lei geral e abstracta? Será que o Governo quer apenas uma lei de campanha eleitoral, uma lei de casta? Será que o Governo considera o Governo preenchido por intocáveis que jamais poderão vir, em teoria é claro, em teoria, acusados da prática de crimes? É que se assim fôr Saldanha Sanches pode vir afinal a ter razão e um dia destes ainda afirma que o Ministério Público está sequestrado pela Lei futura que se destina, parece, apenas aos autarcas. É que para a banditagem, não há territórios especiais. Nem necessariamente eleitos.

segunda-feira, junho 04, 2007

(1098) TRISTE, SEMPRE TRISTE

Um amigo é um amigo e um amigo que parte deixa sempre um vazio. Que só a sua memória preencherá. O Hélder era uma pessoa especial.

domingo, junho 03, 2007

(1097) A INTERNACIONAL NÓMADA








(Die Welt)

Existe actualmente uma espécie de Internacional Nómada composta por um bando de delinquentes que se distrai a andar pelo mundo inteiro a destruir coisas em geral e automóveis em particular e que evoluiu ontem para um grau superior de destruição: feriu 146 polícias alemães, dos quais 30 gravemente, na estância de Heiligendamm, onde de 6 a 8 de Junho se reúne o G8. Claro que este tipo de delinquência merece do politicamente correcto complacência e até mui sociológicas explicações. Mas a verdade é que se a violência que se exibe fosse, por exemplo, praticada por skinheads ou movimentos de extrema-direita provocaria uma agitação mediática que chamaria imediatamente a atenção para o perigo do radicalismo, do extremismo, da xenofobia e do racismo. Mas esta Internacional Nómada de párias profissionais da destruição e da delinquência, não é nada disso. Nada mesmo...

(1096) SENTENÇA

O juiz Marcelo Rebelo de Sousa, aposentado do efectivo partidário, e que colecciona no seu curriculo político várias equipas perdedoras, decretou hoje que a equipa do PSD para a CML com Fernando Negrão à frente "é para perder". Ele sabe do que fala.

(1095) ALAN JOHNSTON

(Alan Johnston)

Este jornalista da BBC foi raptado em Março na faixa de Gaza por um tal de Exército do Islão. Continua em cativeiro. O silêncio quase generalizado dos orgãos de comunicação sobre a sorte deste jornalista deve-se certamente ao facto de ele não ter sido preso ou detido por Israel. Senão, não faltariam ondas de indignação internacional, movimentos de solidariedade, abaixo asssinados e protestos sortidos. Com um bocado de sorte ainda vamos ter um stand deste tal de exército na Festa do Avante ou uma tendinha num acampamento dos jovens do Bloco de Esquerda.

(1094) REVISTA DE BLOGUES (28)

Ser radical é ser heterossexual, por MP, no Eclético (e já agora, acrescento eu, fumar uns cigarritos em vez de consumir droga...).
Sampaio, o outro, por João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
Lipovetsky explicado por Isabel Teixeira da Mota, no Corta-Fitas.

(1093) SUPER-VANESSA

(Campeã)

Mais um recorde para Vanessa Fernandes. Hoje, venceu hoje a etapa de Madrid da Taça do Mundo de triatlo, alcançando uma inédita sequência de cinco vitórias consecutivas na mesma prova, e a 16ª na sua carreira. O terceiro triunfo do ano permite-lhe ampliar a vantagem na liderança do ranking mundial de 2007 e conquistar mais um recorde mundial: cinco vitórias seguidas na mesma etapa, na cidade onde se tornou na mais jovem atleta de sempre a vencer uma prova da Taça do Mundo, então com 18 anos.

(1092) A LER

É preciso lata!, no Ota Não.

(1091) AO LONGO DOS TEMPOS

(O Processo)

Em 1924 morre o escritor austríaco Franz Kafka. Em 1937, o Duque de Windsor, antigo rei Eduardo VIII, casa com Wallis Simpson. Havia abdicado do trono quando lhe foi recusado o pedido de um casamento morganástico, que excluiria a sua mulher e herdeiros da linha de sucessão. Em 1940, 200 aviões do Reich despejam 1100 bombas sobre Paris. Em 1989, os tanques entram na Praça Tiananmen.

(1090) CARECA À MOSTRA

Foi descoberta uma sondagem marada em Lisboa. Desta vez tiveram azar. Quantas mais não haverá?

(1089) HOMÓNIMOS (18)

Jorge Ferreira, Presidente do Clube de Ténis de Águeda.

(1088) REVISTA DE BLOGUES (27)

Do IPO ao Sta. Maria, por João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.
Morangos na praia, por Pedro Correia, no Diário de Notícias.
Cuidado com o fumo, por J. M. Coutinho Ribeiro, em O Anónimo.

sábado, junho 02, 2007

(1087) AGUARDO REPORTAGEM DETALHADA

Aguardo reportagem detalhada desta actuação da ASAE no Jornal da Noite, da SIC, como é costume vermos as que ocorrem nos outros sítios.

(1086) NÃO APRENDERAM NADA!

Informa o Diário de Notícias que Fernando Negrão, candidato do PSD nas eleições para a CML foi fazer campanha no Dia do Vizinho, no dia 29 de Maio, em Marvila, numa iniciativa patrocinada pela Gebalis, empresa municipal responsável pela gestão dos bairros sociais. É isto a Lisboa a sério. É para isto que eles querem as empresas municipais. Definitivamente, o pSD não aprendeu nada. Continua, afinal, a brincar a Lisboa. Só que Lisboa não pode ser um brinquedo nas mãos dos partidos do sistema.

(1085) A BÉLGICA JOGA HOJE CONTRA O BRASIL

(Via Fumaças)

Não, não é gralha. Para os correios belgas é mesmo assim. Os Correios da Bélgica, para comemorar os 100 anos do nascimento de Hergé, fizeram uma colecção de selos com as capas dos vinte e quatro álbuns do Tintin, onde cada um tem o título numa língua diferente. Então não é que aquelas sumidades culturais ignoram que existe a língua portuguesa, e chamam-lhe brasileira! E ainda por cima, o álbum “L’oreille cassé” está reproduzido da edição brasileira como “O ídolo roubado” em vez da edição portuguesa, que está correcta, “A orelha quebrada”.

(1084) A PORTUGALOGIA DE TRAZER POR CASA

"Portugal, muito mais do que imagina. Um país onde a História se confunde com o presente, no Património, na Arquitectura e nas Artes. Uma terra de gente sábia, alegre e aventureira. Gente que arrisca a ir sempre mais longe. Fazer sempre melhor. Terra de poetas e desportistas, músicos e cientistas, actores e marinheiros. Um país que consegue olhar o futuro sem perder as tradições. Bem-vindo a Portugal, um país onde tudo é muito mais do que imagina.". Este é o texto de boas vindas no portal da Presidencia portuguesa da União Europeia (nunca é demais referir que à designação jornalítica não corresponde o Direito comunitário vigente, já que a União não tem Presidência, mas apenas o Conselho da União Europeia). Este textinho revela bem a visão politicamente correcta da realidade do país. António Ferro e o SNI faziam apesar de tudo, muito melhor. Numa coisa estou de acordo: em Portugal é tudo muito mais do que se imagina. Sobretudo o provincianismo bacoco.

(1083) HOMÓNIMOS (17)

Jorge Ferreira, Administrador da Esphera.

(1082) AO LONGO DOS TEMPOS

(Marquês de Sade)

Dia de aniversário de Henrique VIII, de Inglaterra e de Donatien Alphonse François, que ficou para a história conhecido pelo título de Marquês de Sade. Em 1979 o Papa João Paulo II inicia a primeira visita de um Papa a um país comunista, a sua terra natal, a Polónia.

sexta-feira, junho 01, 2007

(1081) O ILUSIONISMO DOS COMPUTADORES

(Magia)

Incapaz de corrigir a incompetência e o laxismo do sistema de ensino, o Governo tenta tornear. Perante escolas e professores que ensinam a indigência e avaliam a inépcia, o Governo ladeia. Perante leis estúpidas que favorecem a preguiça e a irresponsabilidade no sistema de ensino, o Governo entreolha-se. Perante um sistema cuja máxima é "irás longe na vida mesmo que não te esforces e não saibas nada", o Governo contemporiza. Até que o núcleo duro descobriu a pólvora: é possível deixar tudo exactamente na mesma se pusermos os contribuintes a pagar computadores ao povo. Vai daí toca a anunciar a distribuição dó infomilagre no debate mensal, com estrondo e impacto. Como é evidente nem os computadores salvam um ignorante no mercado de trabalho, na competição das competências, muito menos na formação humanista ou no rigor da linguagem. É mais um milagre falacioso do gra´nde Houdini da política portuguesa. Incapaz de ir ao tutrano dos problemas, cultiva a aparência tola e novo-rica. Os computadores estão para José Sócrates como os electrodomésticos estão para Valentim Loureiro.

(1080) CONFISSÕES

Os silêncios são para se ouvir e para se ler. Eu sei quem és.

(1079) A PERVERSÃO DA INDEPENDENCIA

Sempre defendi a possibilidade de existirem candidaturas de independentes em todas as eleições, incluindo eleições legislativas. Os partidos políticos, expoente da comunidade politicamente organizada, precisam de desafios e de concorrência. Com a consolidação da democracia apossaram-se do Estado e cristalizaram defeitos que têm provocado uma distância dos cidadãos face à política e, sobretudo, têm desacreditado as instituições.

Os monopólios fazem mal ao mercado. Afunilam as escolhas. Cerceiam a liberdade dos consumidores. Acomodam os produtores e os prestadores aos vícios da solidão. Geram sobranceria. A prazo, degradam as estruturas. No mercado político e eleitoral, acontece o mesmo.

Em 1997 foi finalmente consagrada na Constituição a possibilidade de candidaturas independentes às autarquias locais. Com medo de perder benefícios e privilégios, PS e PSD recusaram então a possibilidade de alargar as candidaturas de independentes à Assembleia da República.

Cumpre reconhecer que a experiência das candidaturas de independentes às autarquias locais nos primeiros dez anos de vigência desta possibilidade, em teoria virtuosa e salutar, não tem sido inteiramente positiva. Na verdade, as candidaturas de independentes às Câmaras Municipais têm resultado mais de dissidências partidárias, que recolhem uma facção descontente do respectivo partido de origem e não de projectos de cidadãos sem partido.

O presente caso das eleições intercalares de Lisboa é um triste exemplo disso mesmo. Existem dois supostos candidatos independentes à Câmara Municipal de Lisboa, que de independentes só têm o nome. Helena Roseta sempre foi pessoa de partido. Foi destacada militante, dirigente e deputada do PSD e do PS. Está no seu direito de não gostar de José Sócrates, no que é acompanhada por muito boa gente, independentemente das razões de cada um. Legitimamente viu uma nesga de oportunidade de beliscar o partido que lhe permitiu a carreira política e partidária que teve até agora e mascarou-se de independente para concorrer à CML. Independente, Helena Roseta? Não brinquem…

Carmona Rodrigues, que nunca foi militante do PSD, foi, porém, ministro da República e Presidente da CML, pelo PSD. Exerceu esses cargos interrompendo mandatos a seu bel-prazer, desprezando os compromissos eleitorais assumidos. Parecia uma corrente de ar entre a Praça do Município e o Governo. Durante esse tempo, serviu-se e serviu-lhe a camisola partidária, com a qual praticou a mais partidária das gestões da CML dos últimos anos. Sempre obedeceu aos interesses e às ordens do Partido. Agora, legitimamente descobriu que os partidos são péssimos e declara-se candidato independente à CML. Não brinquem.

Dizem até as más línguas que PS e PSD deram uma oportuna mãozinha na recolha das assinaturas necessárias para as candidaturas que respectivamente lhes interessavam para se atacarem mutuamente. O PSD terá ajudado Roseta. O PS terá ajudado Carmona, de quem aliás, sempre foi aliado na gestão dos interesses camarários. Claro que não é proibido. Mas a transparência exigiria que o assumissem e a independência exigiria que o recusassem.

Estes são dois exemplos paradigmáticos da perversão das candidaturas independentes. Ao contrário do que se pensa são dois exemplos de mau serviço prestado à reforma da democracia. Helena Roseta e Carmona Rodrigues são dois falsos independentes.
(publicado na edição de hoje do Semanário)

(1078) OS AMNÉSICOS

Paulo Portas e Marques Mendes foram ministros de Durão Barroso justamente no Governo que apresentou o projecto da Ota em Bruxelas para efeito do financiamento. Hoje, fazem gala de discordar, duvidar, perguntar, criticar. A isto chama-se oportunismo e desonestidade políticas. E agora, com a oportunidade das eleições intercalares em Lisboa, perderam a vergonha e juram que já no século V antes de Cristo eram contra a Ota.

A verdade é que é o Governo de Durão Barroso que está na oposição parlamentar ao PS. Ou seja: numa palavra, é uma oposição sem credibilidade e incapaz de dar um futuro melhor a Portugal. Já deram o que tinham a dar e deram bem pouco.
(publicado na edição de hoje do Democracia Liberal)

(1077) O ESTADO TARADO

Sabia o leitor que passou a ser obrigatório por determinação do Banco de Portugal os menores estarem registados nas Finanças e possuírem número de identificação fiscal? Não sabia? Pois fica a saber. Se pensa abrir uma conta bancária em nome de um menor já sabe: tem de ir primeiro à respectiva repartição de Finanças e obter o cartãozinho de contribuinte. Claro que não interessa nada saber com o que é que o menor contribui e para quê. Passa a ser contribuinte e pronto. Sobretudo contribui para a burocracia do Estado e para o aumento de informação do Estado sobre os cidadãos. Não há discussão. O Big Brother is, cada vez mais, watching you.

Aquelas contas bancárias abertas quando as crianças nascem pelos padrinhos e pelas madrinhas para ir fazendo um pé de meia para a maioridade passam a exigir registo prévio nas Finanças. Esta profunda reforma do Estado e da Administração Fiscal é um poderoso contributo para o aumento das receitas…

Mas isto não chega: o Ministério das Finanças vai alterar a lei que obriga os contribuintes a declararem à Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) as doações por cheque ou em dinheiro feitas entre pais e filhos, avós e netos, e cônjuges, sempre que estas ultrapassem os 500 euros. A garantia foi dada ontem pelo ministro Fernando Teixeira dos Santos, que se escusou, no entanto, a precisar os termos dessa alteração. A alteração "vai definir claramente em que condições" as doações terão de ser declaradas, disse Teixeira dos Santos. Esta mudança só deverá entrar em vigor no próximo ano.

É "excessivo declarar doações entre pais e filhos", sublinhou o ministro em declarações citadas pela Lusa. À saída da Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Plano, o ministro explicou que a alteração do Governo vai "definir claramente em que condições" as doações terão de ser declaradas. Sem nunca dizer que o limite dos 500 euros pode ser alterado, o ministro reconheceu que os "montantes reduzidos" de doações normalmente não estão associados a "riscos significativos" de evasão fiscal. "Não haverá a eliminação simples da declaração do fisco, mas serão definidas melhor as situações de obrigação."

Questionado sobre a altura em que o Executivo pretende alterar esta lei, Teixeira dos Santos disse que o "mais tardar" essa modificação deverá ser feita com a apresentação da proposta do Orçamento do Estado para 2008, o que significa que só terá efeito a partir de 1 de Janeiro do próximo ano. O ministro admitiu, no entanto, poder antecipar a alteração se houver razões para tal. Mas também não explicou o mistério destas razões que podem determinar uma antecipação da modificação legal.

A alteração que agora promete fazer surge depois do Governo ter aprovado um decreto-lei que obrigava a que as doações entre pais e filhos, avós e netos, e cônjuges, sempre que superiores a 500 euros, fossem declaradas ao fisco, mesmo sabendo-se que as mesmas estavam isentas do pagamento de Imposto do Selo. Caso estas declarações não fossem feitas pelos beneficiários das doações, então, estes estariam sujeitos a coimas que variam entre os 250 e os 15 mil euros, podendo ser reduzidas a metade caso não haja imposto a liquidar, o que é o caso.

Esta situação seria depois desmentida pelo Primeiro-Ministro, José Sócrates, no Parlamento. Na altura, duas deputadas socialistas acabariam por entregar um requerimento ao Ministério das Finanças onde pediam para que a situação fosse esclarecida. A resposta das Finanças, divulgada pelo Jornal de Negócios, confirmou que a lei previa precisamente o que havia sido desmentido por José Sócrates.

Ora aí está. A um Estado tarado nem as crianças escapam.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)

quinta-feira, maio 31, 2007

(1076) FOI NA TAILÂNDIA

Para acabar com a corrupção o Supremo Tribunal da Tailândia dissolveu alguns partidos políticos. Foi na Tailândia. Foi na Tailândia.

(1075) MINI-ALBERTO MARTINS

Francisco Louçã apoia sem reservas as propostas do Governo sobre as tais TIC's.

(1074) MINI-MARQUES MENDES

No debate mensal, Paulo Portas, apertado por Sócrates, quer fazer de conta que não era do mesmo Governo que apresentou o projecto da Ota em Bruxelas. O passado pesa. Aliás, entre 2002 e 2005 a verdadinha é que esta espécie de mini-Marques Mendes (fiz uma coisa, digo outra), não esteve cá.

(1074) INTERVALO

O debate vai desinteressante. Oportunidade, portanto, para variar de assunto. O Montenegro foi admitido na FIFA. É o 208º país a entrar. Já o Sporting parece uma equipa em lenta decomposição. Tello, Nani, e outros vão sair. Com quem julgam que vão jogar na Liga dos Campeões? Uma sugestão: em homenagem à afamada escola de formação podiam inscrever os juniores.

(1073) SURPRESA NO DEBATE

Sócrates chama arrogante e pede humildade a Jérónimo de Sousa. Isso mesmo, leram bem: humildade.

(1072) AS TIC'S

A responder a Alberto Martins e a Jerónimo de Sousa Sócrates fala das TIC's. O PM deste GOV já fez a PA onde se pode falar à balda?

(1071) FALTA DE NÍVEL

Diz Marques Mendes de José Sócrates. Depois do segundo ter acusado o primeiro de oportunista. No caso DREN, Marques Mendes desmonta o discurso vazio, fugitivo, ambíguo de Sócrates, dizendo que o grave é haver o inquérito e não o seu desfecho.

(1070) ENFIM, A DREN

Sócrates diz que um Primeiro-Ministro não interfere em processos disciplinares. Pois. Adiante. E está esclarecido. Uma pouca vergonha é o que é. Quanto ao resto Sócrates tenta provar que o PSD tem mais méritos na nomeação de comissários políticos do que o PS. E introduz o caso de Lisboa na campanha. O Primeiro-Ministro despiu o fato e vestiu a t-shirt de Secretário-Geral do PS. Assim vai o debate mensal com o Secretário-Geral do PS.

(1069) ENFIM, A OTA

Sócrates inflexível sobre a Ota. E insiste que a decisão foi tomada em 1999 e confirmada pelo Governo de Durão Barroso que apresentou o projecto em Bruxelas para ser financiado. E explora as contradições do PSD sobre a Ota. Que não são poucas, diga-se.

(1068) MAIS UM TIRO NO PÉ DE MARQUES MENDES

José Sócrates lembra que a lei da declaração ao fisco das doações entre entre pais, filhos, avós e netos era uma lei do CDS e do PSD. Estão bem uns para os outros.

(1067) A RESPOSTA DE SÓCRATES

Boa resposta de Sócrates a Marques Mendes sobre a não consideração dos erros de português nas provas de aferição de português. Os critérios vêm do tempo de Marques Mendes e dos desgovernos do PSD, nos quais Marques Mendes orgulhosamente participou. Conclusão: nem um nem outro servem para o país!

(1066) DEBATE MENSAL: MARQUES MENDES

Boa intervenção de Marques Mendes, com cinco medidas alternativas no tema escolhido pelo próprio Primeiro-Ministro: a competitividade. Sobre a actualidade Marques Mendes só não abordou das que eu escolhi, as questões europeias. Certamente porque aí concorda com Sócrates no essencial.

(1065) DEBATE MENSAL: PREGUIÇA DA MAIORIA

Talvez por o tema ser entusiasmante, a bancada da maioria esqueceu-se de aplaudir a intervenção de Sócrates. Só a custo saíram uns aplausos.

(1064) DEBATE MENSAL: TEMA DE BANDA ESTREITA

José Sócrates, escolheu para tema do debate mensal, esta quinta-feira, na Assembleia da República, as políticas de «acesso às tecnologias de informação (TI) e competitividade». Paradoxalmente este revela-se um tema de banda estreita relativamente aos assuntos sobre os quais o Governo e especialmente o Primeiro-Ministro devem explicações aos portugueses. A Ota e as suas trapalhadas, o ministro iberista da Ota e as suas trapalhadas, as perseguições socialistas de que é exemplo o inacreditável caso do Professor Charrua e outras trapalhadas, o aumento do desemprego, o que fazer com a próxima Presidência europeia, que alterações a introduzir na congelada Constituição europeia, assunto não falta.

(1063) HOMÓNIMOS (16)

Jorge Ferreira, Presidente da Junta de Freguesia de Galegos Sta. Maria, no concelho de Barcelos.

(1062) AO LONGO DOS TEMPOS


(Walt Whitman)

Em 1759, na Pensilvânia, por pressão de grupos religiosos, era proibida a representação de peças de teatro. A multa era de 500 libras inglesas. Em 1809, morre Franz Joseph Haydn. Em 1819, nasce Walt Whitman. Em 1962, Adolf Eichman, o mais famoso capturado de Simon Wiesenthal, é enforcado em Israel por crimes de guerra.

(1061) EM DIRECTO

O debate mensal com o Primeiro-Ministro, hoje no Tomar Partido.