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domingo, março 04, 2007

(625) IDENTIDADE NACIONAL

As notícias desta semana são uma boa vitrina da identidade nacional. Os portugueses parece que são dos europeus que mais defendem o seu país, mesmo quando o seu país toma decisões erradas. E que para se reverem nas suas coisas recorrem preferencialmente à História e ao futebol.

Certamente é isso que explica que se atolem num ridículo concurso televisivo sobre a escolha de quem foi o melhor português de sempre, uma tolice verdadeiramente lumpen e ponham bandeirinhas à janela a pedido do Professor Marcelo em quem não votam quando podem e do Sr. Luís Filipe, que acham que ganha dinheiro a mais.

Mas esta semana, repito, foi um grande dia para a identidade nacional. Uma autarca de Felgueiras afirmou perante um Juiz e um Procurador do Ministério Público que todos os partidos tinham contas paralelas. Pretendia-se desculpar pelo facto de o seu também as ter. Convoca-se José Sócrates a esclarecer esta negritude do PS de Felgueiras e pergunta-se ao Ministério Público se vai mandar extrair certidão destas declarações para abrir inquérito. Sendo certo que os portugueses continuarão a amar Portugal, mesmo que nada disto aconteça.

Ficou também a saber-se que a NATO desmentiu Luís Amado sobre informações que este prestou ao Parlamento sobre o caso dos voos da CIA. No fundo parece que estas declarações foram declarações paralelas à verdade. Digamos paralelas para evitar processos e inquéritos que, nalguns casos são extremamente rápidos embora noutros sejam extremamente demorados. Certo mesmo é que os portugueses continuarão a amar Portugal, mesmo que um ministro seja assim posto em causa por uma organização internacional de tanto prestígio e influência como é o caso da NATO.

Ficou ainda a saber-se que, depois dos tempos em que os alunos levavam pancada dos professores, incluindo reguadas nas mãos e nas pernas (vão desculpar-me os leitores este pequeno apontamento auto-biográfico pelo qual vos afianço que jamais esquecerei a minha professora da 2ª classe), agora são os professores que levam pancada dos alunos e, supra-sumo da barbárie, das famílias dos alunos. A disciplina nas escolas continua a ser considerada pelos pedagogos modernos uma violência a que não devem sujeitar-se as criancinhas, futuros estafermos de elite devidamente acolitados pelos energúmenos dos familiares que estão transformados em escolta ilegal. Mas certo mesmo é que os portugueses continuarão a amar Portugal, recorrendo se necessário ao Infante D. Henrique, ao Eusébio e ao Figo para afugentar pesadelos da vida real.

Lá diz o velho ditado: quem feio ama, bonito lhe parece.
(publicado na edição da última sexta-feira do Semanário)