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sexta-feira, setembro 28, 2007

(1696) O GESTO É TUDO

Antigamente dizia-se que às vezes o silêncio vale por mil palavras. Hoje, na era da imagem e da televisão, deixou de ser o silêncio a valer por mil palavras e passou a ser o gesto. A atitude tem ilustres artistas, o maior deles, Marcel Marceau, acaba, aliás, de falecer deixando um lugar por preencher na difícil arte do mimo.

É assim que, no meio da algazarra das quotas, dos cadernos eleitorais, dos insultos, da agressividade e do vazio de ideias em que mergulhou a campanha das directas no PSD, surge um motivo para debater a sério. Por causa do gesto. Dos tais que valem mais que mil palavras.

Santana Lopes deixou o estúdio da SIC Notícias a meio de uma entrevista porque foi interrompido para um directo da chegada de José Mourinho ao aeroporto da Portela. Santana Lopes fez muito bem. A informação televisiva, de uma forma geral, é hoje um imenso arsenal de chouriço corrente. Directos a despropósito, sem notícias, sem informação, com frases simples e ocas repetidas até à náusea, para satisfazer uma alegada insaciabilidade das audiências e um alegado voyeurismo da populaça.

Claro que há excepções. Mas a esta onda febril de mostrar coisa nenhuma, nem o serviço público de televisão tem escapado.

Ora, o que fez Santana Lopes? Fez uma coisa muito simples: disse, de forma enfática ao levantar-se da cadeira que a informação televisiva não pode ser uma máquina de vazio e que tem de respeitar valores. Santana Lopes prestou um serviço público.

Claro que, como se esperava, a SIC não percebeu nada. Ricardo Costa veio dizer que a reacção de Santana Lopes foi “inusitada e desproporcionada” e não se justificava. Talvez esta reacção se baseie na raridade da atitude. A verdade é que as pessoas têm aceite tudo, têm-se resignado a tudo, nas televisões. Trocam o segundinho da fama por qualquer dislate, por qualquer desrespeito. A surpresa é desta vez, causa justificativa da reacção.

A atitude foi justamente inusitada, inesperada, é certo. Não é hábito. Mas desproporcionada é que não foi. Tratou-se da chegada a um aeroporto de um treinador de futebol. Por muito bom que ele seja e é, há que ter o sentido das proporções. Desproporcionado, na verdade, é as televisões encherem chouriços com coisa nenhuma, mais a mais, interrompendo entrevistas de forma essa sim inusitada e desproporcionada.
(publicado na edição de hoje do Semanário)

quarta-feira, setembro 26, 2007

(1682) HAJA ALGUÉM...

Eu não vi, mas estou roidinho de inveja de quem viu Pedro Santana Lopes levantar-se da cadeira na SIC Notícias, por o terem interrompido numa entrevista, para um directo do aeroporto da Portela onde estava a chegar José Mourinho. Há limites para tudo. Ou devia haver. Parabéns a Pedro Santana Lopes.

segunda-feira, setembro 17, 2007

(1628) A MORDAÇA

"José Sócrates está a ganhar a sua guerra contra as liberdades. As sucessivas leis que tem vindo a fazer publicar e matéria de comunicação social estão a transformar-se numa mordaça. A criminalização da divulgação de escutas telefónicas que não estão em segredo de justiça, aprovada com os votos favoráveis do PSD, é apenas mais um passo na concretização do sonho do primeiro-ministro."
José António Cerejo, no Público (link indisponível), via Fumaças.

(1627) OUTRA PERSPECTIVA, SEM CÓDIGOS

"Aprovada pelo PS/"Máfia dos Bingos" e PSD/Somague, com abstenção do CDS/Portucale, entrou em vigor a norma do Código de Processo Penal que proíbe a publicação sem autorização expressa dos "intervenientes" de escutas comprometedoras obtidas em investigações criminais, mesmo que já não estejam em segredo de justiça. A "lei da rolha" não constava do documento preparado pela Unidade de Missão para a Reforma Penal, coordenada pelo actual ministro da Administração Interna, Rui Pereira, nem foi sujeita, para consulta, às estruturas da Justiça, como revelou o juiz António Martins, presidente da Associação Sindical dos Magistrados Judiciais. Apareceu não se sabe donde "ad usum delphini" (isto é, das públicas virtudes e vícios privados dos poderes políticos) e da "privacidade" de certos negócios que não é desejável que transpirem para a "rua". Mas terá as mais sérias implicações no exercício do direito/dever de informar e do direito dos portugueses a serem informados. Até Vital Moreira, núncio do actual Governo PS em matéria legislativa, a considera "uma restrição claramente desproporcionada" à liberdade de informação. O jornalismo vai ter agora de, como na canção, ficar "quietinho e caladinho ou leva no focinho". Adivinhe o leitor quem ganhará com isso. "
Manuel António Pina, no Jornal de Notícias.

quarta-feira, setembro 12, 2007

(1597) RTPRAQUÊ?

A propóito dos 150 milhões de euros que a RTP vai receber a título de indemnização compensatória:
"O que acontece em Portugal é, no entanto, idêntico ao que se passa nos outros países da União Europeia. Não somos uma bizarria. As televisões públicas existem, comem parte do bolo publicitário dos operadores privados (a preço de tabela, em Portugal, 60 milhões num universo de 388 milhões), dão um empurrãozinho aos partidos do governo e, ano após ano, subsistem e alimentam as suas clientelas particulares. No fundo, no meio de muito telelixo, fazem alguns documentários de qualidade e patrocinam uns poucos telefilmes de autor que, no limite, só servem um objectivo final: justificar, com o inevitável banho de pseudo-cultura televisiva, o ‘statu quo’ de uma classe de devoristas. Ou seja, só servem para disfarçar a indigência generalizada da sua programação."
André Macedo, no Diário Económico.

segunda-feira, setembro 10, 2007

(1582) MISTÉRIO

Hoje o programa Prós & Contras, da RTP, regressa depois das férias. E, para não destoar da onda, anuncia-nos que vai debater o caso de Madeleine Mccann. Espero, curiosa e sinceramente, que logo no início da emissão, a sua apresentadora esclareça a udiência sobre Prós o quê e Contras o quê. É que ou se trata de uma espécie de julgamento travesti, ou não estou a ver...

(1581) OBSCENIDADES

O espectáculo mediático sobre o caso da criança inglesa já não é informação, mas apenas uma obscenidade. Que terá continuidade hoje no serviço público de televisão. Como se o país não tivesse mais problema nenhum para debater.

terça-feira, julho 31, 2007

(1433) JÁ NÃO HÁ PACIÊNCIA

Certamente para muita coisa, mas nesta época do ano, já não há pachorra especialmente para certas perguntas inteligentes dos jornalistas desportivos. A paradigmática é perguntar a jogadores de um clube de uma determinada nacionalidade se outro jogador da mesma nacionalidade que foi contratado para o mesmo clube é bom. Estarão os excelentíssimos profissionais das perguntas à espera que algum lhes diga que não? Francamente.

quinta-feira, julho 19, 2007

(1342) NÃO SEI PORQUÊ...

Não sei porquê, mas acho que saber disto ainda vai dar jeito: "O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem reteve como lícitas, no âmbito da luta política, uma expressão como imbecil,(1.7.1997, DDP, 1997, 10, 1209); lobbista, experiente em urbanizações selvagens, comissário de negócios sujos, são outros exemplos mencionados na ob. cit. , a fls. 213.!". por Vítor Sequinho dos Santos, em O Meu Monte.

sexta-feira, julho 13, 2007

(1309) O PÚBLICO NÃO ACERTA UMA

Já é a segunda vez que o 'Público' troca as fotografias dos candidatos com os respectivos partidos quando publica as sondagens para as eleições intercalares da Camara municipal de Lisboa. Manuel Monteiro aparece sempre como líder de partidos de que não é líder. À primeira ainda se desculpa. À segunda ou é incompetência ou má vontade. Nenhuma delas devia existir neste jornal. Lamentável.

quarta-feira, junho 13, 2007

(1130) A VENEZUELA CÁ DENTRO

Certamente inspirado pelos elogios do secretário de Estado António Braga à competência de Hugo Chavez, Aníbal Cavaco Silva decidiu passar uma reprimenda pública, em comunicado oficial da Presidência da República, à RTP, por esta ter interrompido por duas vezes a estimulante transmissão em directo das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. A tentação de Cavaco Silva intervir na comunicação social, para os mais esquecidos vem de longe, vem do Governo, onde tinha ministros especializados no assunto. Não se estranha, pois, que a coerência se mantenha, já que se sabe da estabilidade de Cavaco Silva, nas virtudes e nos defeitos. O que é espantoso é que a RTP se tenha vergado e pedido desculpas pelo sucedido, tendo de imediato anunciado uma retransmissão integral das comemorações! Quem julgava que a tentação de intervir na Comunicação Social era um exclusivo de José Sócrates e do seu Governo, está redondamente enganado. Em Belém mora a mesma tentação, embora agora menos visível porque as oportunidades do Presidente ficar desagradado com a política editorial da comunicação social são proporcionais aos seus poderes, ou seja, poucas. Atenta, veneranda e obrigada, a RTP, mostra a sua natureza de departamento audiovisual do sistema. Quanto ao Presidente, esse, estará impante do sucesso da reprimenda. E Portugal, então, coitado, lá vai cantando e rindo conforme lhe deixam os poderes em execrcício.

terça-feira, junho 12, 2007

(1125) O HOMEM SOLTOU OS CÃES

(Huskies Siberianos)

Blair tem menos encanto na hora da despedida. O homem decidiu soltar os cães, como sói dizer-se e chamou matilha selvagem aos jornalistas e quer mais controle da Internet. Blair, o Enorme Condutor do Povo pela Terceira Via, sai em grande dos palcos. Palpita-me que estas considerações cobardolas que só se fazem quando se sai terão selváticos adeptos por cá. Sempre foi, é e será difícil conviver com a liberdade de imprensa. Os socialistas, que têm a mania de se apresentar como os campeões da liberdade de expressão, quando lhes toca à porta a liberdade, são iguaizinhos aos piores.

quarta-feira, maio 30, 2007

(1052) NOTÍCIAS SENSACIONAIS

O PSD quer registar a internet na ERC (por favor, Senhora Secretária-Geral da AR, uma formaçãozita em You Tube já, para os Senhores Deputados) e o mesmo PSD quer discutir o medo nas redacções (será nas redacções dos putos que andam nas escolas onde se podem dar erros de orografia e passar de ano?). Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Não é só com Sócrates que temos de ter paciência. Com o PSD também.

sexta-feira, maio 25, 2007

(1034) EXCESSO DE ZELO

Depois de uma semana desastrosa para o Governo, eis que os desastres parecem transferir-se para os Editoriais do Diário de Notícias. O editorialista acha fantástico como o Governo resiste aos disparates que fez nos últimos dias, obtendo o PS maioria absoluta. Eu acho fantástico como é que o editorialista queria que a sondagem, que foi feita entre 15 e 18 de Maio havia de reflectir os disparates ocorridos de 19 de Maio para cá. Gatos escondidos...
(via Gabriel Silva, do Blasfémias)

quinta-feira, maio 17, 2007

(982) ANDA TUDO DISTRAÍDO

Enquanto Lisboa não se resolve, o diploma de Sócrates vai fazendo o seu papel, a menina inglesa continua a abrir telejornais, há quem vá tratando calma e metodicamente do poder. Querem um exemplo? Este. O negócio do século das televisões (não são elas que contam?...) vai sendo gerido pelo Governo em silenciosa conjugação com o calendário eleitoral. De 2009, claro, que é o único que interessa a Sócrates. Ferozmente o único que lhe interessa.

terça-feira, abril 24, 2007

(920) VERGONHA

"A escolha de Pina Moura para presidir à Media Capital, a convite da Prisa, é uma das mais preocupantes notícias dos últimos tempos. Ao pé disto, a telenovela em redor da licenciatura de José Sócrates é apenas programação infantil. "
João Miguel Tavares, no Diário de Notícias.

sexta-feira, abril 20, 2007

(908) A SINCERIDADE DO CARDINALATO

(Pavilhão a uso)

"Pina Moura admite em entrevista ao Expresso que o convite que lhe foi dirigido pela Prisa, para presidir ao Conselho de Administração da Media Capital, proprietária da TVI, tem “um pressuposto ideológico”. O socialista, que é também presidente da Iberdrola Portugal assume que continuará “a fazer política” mas agora nos média e garante que “não há nenhum projecto empresarial que não tenha objectivos políticos, nomeadamente na comunicação social”. Cheguei a estas pérolas através do Gabriel Silva. Eis um exemplo de franqueza que o PS poderia utilizar noutras matérias. Desde logo em campanha eleitoral quando falasse de impostos e no Governo quando falasse de Universidades e diplomas. A desfaçatez não tem limites neste triste Portugal socialista.

quarta-feira, abril 18, 2007

(892) TARDE DE MAIS

Pina Moura vai para administrador do grupo Media Capital, vai continuar a presidir à Iberdrola Portugal e decidiu deixar o seu lugar de deputado e todos os cargos que ocupa no PS. Tarde de mais. Sempre me insurgi contra o facto de um deputado da República e da Nação representar simultaneamente interesses económicos espanhóis, como tem sido o caso de Pina Moura. Este deputado tem dado, desta forma, dos piores exemplos políticos de pomiscuidade de interesses que se pode dar. Ele é a encarnação do pantano guterrista. Agora desiste do mandato, acrescentando mais um péssimo exemplo político, ao seu longo curriculum nesta matéria. O sistema vive na impunidade. Todos se permitem tudo. Agora, este exemplo de empresário oriundo da melhor escola do PCP, vai dirigir um grupo de comunicação social. Bem podia contratar Vital Moreira para comentador de domingo... Sócrates e o PS bem precisam de reforços na comunicação social. Como se tem visto, ainda há muita coisa fora de controlo. O bombeiro de serviço apresentou-se ao serviço, juntando o útil ao agradável: ajuda o Partido e aumenta os interresses espanhóis que representa em Portugal. D. Joaquin não brinca em serviço.

(888) "JORNALISMO DE SARJETA" EM CUBA

Um jornalista foi condenado a quatro anos de prisão num julgamento sumaríssimo por "risco de delito". Foi em Cuba e eu, francamente, muito francamente, hesitei antes de pôr aqui estas palavrinhas. Não esteja eu a dar ideias...

domingo, abril 15, 2007

(875) REFERÊNCIAS DE LIBERDADE

"O dr. Augusto Santos Silva é o ministro que tutela a impropriamente chamada "comunicação social". O dr. Augusto Santos Silva começou a sua aprendizagem política nos Comités Liceais de um pequeno bando "trotskista". Gostava muito de Trotsky até descobrir que ele tinha massacrado os marinheiros de Kronstadt. Depois deste desapontamento teve uma paixão pelo MES, puramente "platónica". Em 1976, votou em Otelo e, em 1985, andou pela campanha de Maria de Lourdes Pintasilgo. A seguir entrou para o PS e em 1999 para o governo. E em 2005, apoiou a candidatura de Alegre a secretário-geral do partido. Este pequeno currículo revela um pouco de que é feita e como funciona a cabeça política do homem, a quem foi entregue a defesa da liberdade de expressão pelo primeiro-ministro Sócrates."
Vasco Pulido Valente, no Público de hoje.